Confisco da multa pode encerrar as negociações
As centrais sindicais ameaçam abandonar a negociação sobre o pagamento da diferença do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) relativo aos planos econômicos de 1989 e 1990, caso o governo insista em reduzir a multa rescisória de 40% sobre o saldo do fundo que o trabalhador recebe na demissão sem justa causa. A proposta do governo, a ser apresentada às centrais em reunião de amanhã, em Brasília, com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, prevê a destinação de metade da multa para ajudar a pagar a dívida. Do nosso bolso não sai um tostão, afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva. Não se mexe em direito do trabalhador, completou João Felício, da CUT.
A CUT apóia a taxação de empresas comprovadamente responsáveis por alta rotatividade de empregados, como as do setor de construção civil e comércio, por exemplo, alegando que elas contribuem para o rombo do fundo. A CUT também apóia a taxação sobre os bancos, argumentando que essas instituições pagam 15% de IR enquanto uma boa parcela de contribuintes pagam mais que isto. Além disso, a central argumenta que os bancos ganharam muito dinheiro com os planos econômicos.
Felício disse que está descrente da possibilidade de acordo com o governo e continua incentivando os trabalhadores a entrar na Justiça pelo pagamento da diferença. Se o que eles propõem é pior do que os trabalhadores teriam se fossem para Justiça, não haverá negociação, avisou. A intenção, explicou, era agilizar o processo.
Paulinho, da Força Sindical, informou que, se a proposta de reter metade da multa dos trabalhadores for colocada na reunião, os dirigentes sairão na mesma hora e darão início ao calendário de manifestações já programado pelas centrais.





