Por que a Fazenda Cachoeira, localizada no município de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), foi a única apontada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com focos confirmados de febre aftosa? No Paraná, quatro fazendas estavam interditadas e outras 11 estavam sob observação. Todas elas compraram animais oriundos ou que tiveram contato com bovinos que saíram do município de Eldorado (MS), onde foram detectados os primeiros focos de aftosa do País.
Análises lógicas já indicam, inicialmente, que as quatro propriedades interditadas - nos municípios de Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá - não poderiam ser citadas pelo ministério. Os proprietários destas fazendas entraram com ação judicial e o Mapa teve que apresentar os laudos dos exames realizados pelo Lanagro, de Belém (PA). Todos os diagnósticos que constam nos autos foram negativos. Sobraram 11 propriedades e todas longe dos holofotes da mídia.
Fontes seguras ouvidas pela reportagem da Folha ligadas ao setor agropecuário afirmam que das 15 propriedades paranaenses que receberam animais do MS, somente a Fazenda Cachoeira trabalha com confinamento. Segundo o gerente da fazenda, André Carioba Filho, os animais permanecem cem dias na fazenda para engorda e depois são vendidos para abate. Todos os demais pecuaristas trabalham com cria, recria e engorda. Isso significa que eles trabalham com melhoramento genético de matrizes e touros, além de comercializarem os animais.
''O Carioba (André Carioba) foi escolhido porque trabalha só com confinamento. É muito mais fácil abater esses animais porque, de qualquer forma, eles já seriam abatidos'', afirmou um pecuarista ouvido pela reportagem. O próprio Carioba Filho acredita nesta hipótese. ''Acho que foi isso mesmo que aconteceu, aqui o abate seria mais fácil. Os pecuaristas que trabalham com cria e recria, além de trabalharem com melhoramento genético, chegam a manter até uma relação emocional com os animais'', disse. ''Acho também que eles se basearam no fato de que não temos ação judicial'', avaliou Carioba Filho.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, o motivo é outro: Carioba comprou os últimos animais - um lote de 177 cabeças - oriundos da Fazenda Bonanza.

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