O número de bois confinados este ano no Brasil deve crescer 6% em relação a 98. Segundo o consultor da FNP Consultoria e Comércio, de São Paulo, José Vicente Ferraz, a expectativa é de que sejam confinados 1,5 milhão de animais, contra os 1,415 milhão engordados neste sistema em 98. Mas mesmo assim, o número de animais ainda é menor do que os 1,7 milhão confinados em 97.
Ferraz observou que muitos criadores deixaram a atividade nos últimos anos por causa dos riscos e da baixa remuneração. ‘‘O confinamento exige escala para se tornar viável’’, comentou. O consultor observou que no Brasil muitos criadores acreditam que ao confinar entre 20 e 40 cabeças vão ter bons resultados. ‘‘Nos Estados Unidos os criadores chegam a confinar 200 mil cabeças. Os confinadores profissionais no Brasil engordam neste sistema entre mil e cinco mil cabeças.’’
A exigência de escala na atividade se deve à baixa margem de ganho por cabeça. Ferraz observa que nos EUA, o confinador tem um ganho médio de US$ 5/cabeça. No Brasil, o ganho médio por cabeça nos últimos anos foi meia arroba (cerca de R$ 15,00). ‘‘O ganho no Brasil já foi maior, entre duas e três arrobas/animal’’, observou.
O consultor afirmou no entanto que a tendência no Brasil é de que haja uma concentração no confinamento, e que a atividade só se viabilizará nas engordas com mais de 20 mil animais. Por isso, segundo ele, o mercado de confinamento de aluguel tende a crescer e se firmar no País. Através deste sistema, o confinador oferece toda estrutura necessária para engorda, e o pecuarista entra com os bois magros.
Ferraz disse que o confinador este ano pelo menos pode trabalhar com a expectativa de preços maiores na entressafra em relação ao preço da safra. Segundo ele, o diferencial negativo entre safra e entressafra nos últimos dois anos também desestimulou os confinadores. Ele observou que em 98 o preço médio da arroba do boi gordo na safra ficou em US$ 24,00. Enquanto que na entressafra do mesmo ano os confinadores receberam em média US$ 23,70.

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