Confiança no comércio apresenta melhora
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quinta-feira, 31 de julho de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A confiança dos comerciantes apresentou a primeira melhora desde fevereiro e teve no trimestre encerrado em julho uma queda de 6,3% contra queda de 6,4% no trimestre terminado em junho. É o que mostra o Índice de Confiança do Comércio (Icom), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado ocorreu em função da melhora das expectativas em relação aos meses seguintes, já que o subíndice de Expectativas (IE-COM) passou de -6% em junho para -4,7% em julho. O de Situação Atual (ISA-COM), pirou, passando de uma taxa de -7,1% em junho para -8,9% em julho.
"O que está melhorando são as expectativas de que devem aumentar as vendas do comércio no curto prazo, ou seja, em agosto e setembro", disse o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas, Aloisio Campelo Junior. Ele explicou que o Índice de Situação Atual teve piora em função dos vários feriados com a Copa, que afetou mais os setores de automóveis, móveis, eletrodomésticos, itens de escritório e de informática. O crédito escasso e a taxa de juros mais alta também afetaram o índice de confiança dos empresários na situação atual.
Setores que não foram tão afetados, segundo ele, são supermercados e produtos farmacêuticos, por não dependerem tanto de crédito. Ele prevê que, em agosto e setembro, haja uma melhora no índice, mas não de forma sustentável. "Com o engessamento da economia, não devem ocorrer avanços expressivos na confiança do comércio até o final do ano", disse.
Segundo o economista, ainda há muitas incertezas até o final do ano devido às eleições e possíveis manifestações populares, o que pode gerar postergação de investimentos e contratações por parte dos empresários.
O presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR), Darci Piana, lembrou que a pesquisa da própria entidade mostrou que apenas metade dos empresários está otimista em relação ao segundo semestre. Ele acredita em melhora das vendas se houver liberação de recursos por parte do governo federal que ajude a alavancar o crédito. Lembrou ainda que cerca de 88% dos paranaenses estão endividados, o que também prejudica novas vendas. E previu um crescimento de vendas de 5,5% neste ano, bem abaixo dos 8,7% registrados no Paraná no ano passado.
Os lojistas ouvidos pela FOLHA, em Curitiba, disseram que as vendas foram ruins com a Copa. O gerente da Loja do Pedro, Diogo Salomão, reclama que, além do futebol, mudanças de cobranças de impostos em substituição tributária feitas pelo governo do Paraná prejudicaram o movimento no estabelecimento, que vende utilidades domésticas. "Esperamos melhora nas vendas com a proximidade do Natal", disse. A gerente da loja de calçados Happy Walk, Cleo Ghisleri, disse que a marca está apostando na virada de coleção para o verão e nas liquidações de inverno para aumentar as vendas. Segundo ela, a Copa atrapalhou as vendas de junho e julho.


