O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 0,3% em outubro em relação a setembro, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mas mostra que o brasileiro vê o momento como de estabilidade e propenso à aquisição de compras com responsabilidade. Com isso, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) projeta um crescimento médio de 10% nas vendas para as festas de fim de ano, mas sem exageros por parte das famílias.
Com a leve redução do ICC de 122,1 para 121,7 pontos, depois de sair de 120,4 em agosto, o diretor de comércio exterior da Acil, Brasilio Fonseca, acredita na manutenção desse valor até o fim do ano. Isso porque outras medições da mesma pesquisa da FGV, como o Índice de Situação Atual, mostra que aumentou confiança dos consumidores sobre o momento econômico do País, ao passar de 136,4 para 137,7. ''Isso me mostra que a expectativa é de um Natal bom, sem problemas nas vendas e que deve representar até um crescimento médio de 10% em Londrina em relação a 2011'', diz Fonseca.
O diretor da Acil explica a estimativa com base no quanto o comércio deve se preparar para as vendas. ''Com essa expectativa de suporte para vender mais, o comerciante forma estoques e se cria uma espiral positiva, que se divide em outros setores.''
Para o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a pesquisa mostra ainda que o consumidor espera fazer compras no fim do ano, mas com responsabilidade. ''O grau de endividamento está alto e percebo uma acomodação'', diz. Ele se refere ao pico histórico do ICC no último mês de abril, quando chegou a 128,7 e caiu sucessivamente até agosto, quando voltou a subir. ''O indicador de outubro não é ruim. Não deve crescer de novo, mas mostra que voltou a ficar estável.''
Porém, Volpi não vê risco de queda nas vendas, mas de maior cautela. Como o Índice de Compra de Duráveis caiu de 88,7 em setembro para 87,1 em outubro, o economista acredita que as pessoas evitem as compras de imóveis ou veículos devido às dívidas contraídas anteriormente. ''O brasileiro costuma comprar bens duráveis com financiamento ou poupança e, como há endividamento alto, tende a ser mais cauteloso no fim do ano'', conta.
Fonseca lembra que o governo federal prorrogou anteontem o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, que terminaria no próximo dia 31, para o fim de dezembro. ''Não sei se podemos considerar esse dado sobre compra de bens duráveis como atual, porque a prorrogação pode mudar tudo'', diz.
Segundo o diretor da Acil, a classe média é responsável por cerca de 50% do consumo do varejo e costuma responder bem a previsões positivas sobre a economia. ''Vivemos um momento bom e, quando a classe C percebe que as notícias são boas, vai às compras.''
Metodologia
O levantamento da FGV abrange amostra de cerca de 2 mil domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 1º e 22 de outubro. A escala dos índices vai de 0 a 200 e a média histórica do indicador de confiança é 112,2.

Imagem ilustrativa da imagem Confiança estável do consumidor anima comércio
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