Imagem ilustrativa da imagem Confiança do microempresário cai 8%, segundo SPC Brasil



A confiança do micro e pequeno empresário que havia crescido entre os meses de maio e agosto recuou 8,3%, indo de 50,17 pontos para 46 pontos, segundo o cálculo do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Na visão dos especialistas, o comportamento do Indicador de Confiança da Micro e Pequena Empresa de Varejo e Serviços (ICMPE) reflete uma acomodação das expectativas em relação ao governo federal.

"A confiança melhorou de forma consolidada, tanto que não acreditamos em voltar ao patamar de pessimismo de abril, ou até mesmo do que registramos em 2015. Só que apenas paramos de piorar, depois de cairmos bastante. Os indicadores até o final do ano devem refletir que o empresário está em compasso de esperar pelo ajuste fiscal, as reformas, e o aumento no crédito. Esse Natal ainda não será de recuperação, no máximo empatará com 2015", aponta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Ela antecipa que indicadores como vendas do varejo e até mesmo da produção industrial devem recuar em setembro. "No caso da confiança, variar perto da neutralidade é um aspecto positivo. Mostra que os micro e pequenos empresários já enxergaram uma luz no fim do túnel, só que ela está distante e na dependência de mudanças efetivas assumidas pelo atual governo", reforça Kawauti.

Nada mudou
O micro e pequeno empresário paranaense confirma o que o ICMPE de setembro apontou."Ainda não vi mudar nada na prática e sinto uma descrença geral. Prova disso foi o primeiro turno das eleições, com tanta gente anulando o voto ou se ausentando", comenta a microempresária Miriam Norecy Raicoski Hruschka, que abriu em fevereiro deste ano a lanchonete Shakematte, em Curitiba. "Insistimos no negócio, por conta de apostar que até o verão o quadro se reverta. Por enquanto, percebo que muitos clientes acabam optando em comprar dez pães do que gastar em um calzone", observa.

O proprietário do pet shop Beleza Animal, Fabiano Scarpin, afirma que sua confiança está amparada mais no segmento em que atua, do que na economia de forma geral. "Sinceramente, a troca de governo não trouxe nenhuma mudança. Eu noto o quanto a minha clientela sentiu a pancada da economia", reconhece. "O que equilibrou o negócio neste ano foi a vinda de novos clientes para a nossa região, o que supriu o espaçamento na frequência de banho e tosa de alguns animais que atendo", complementa.

Crédito

O professor de economia do FAE Centro Universitário Eugenio Stefanelo lembra que a piora em relação à expansão do crédito no Brasil comprometeu a percepção do empresariado de que o ano pudesse terminar em um movimento de retomada. "O Banco Central já está trabalhando com uma queda de 2% em valores nominais no crédito de 2016, o que ultrapassa os 10% em valores reais. Somado ao desemprego já em 11,08% e a falta de avanço no ajuste fiscal não há confiança que se sustente", constata.

Para ele, no Paraná esse impacto é atenuado pelo peso do agronegócio. "Há mais dinheiro em circulação porque a participação do agronegócio no nosso Estado é de 30%, contra 21,5% na média nacional. Sendo assim, nosso PIB deve cair menos do que o nacional que fechará 2016 encolhendo entre 3% e 3,5%", conta.

mockup