Confiança do FMI tem de ficar clara, afirma secretário
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, acredita que o objetivo mais importante a ser alcançado pelo governo nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é um reforço na expressão de confiança da entidade nas políticas que estão sendo adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O importante é ficar clara a confiança do Fundo no que estamos fazendo, salientou Levy. O Fundo não perdeu nenhuma vez nas últimas apostas que fez no Brasil.
O secretário é o principal negociador brasileiro com o FMI. Levy participou em 2002 dos debates que resultaram no acerto de US$ 30 bilhões para o Brasil e lidera agora a rodada de discussões que estão sendo feitas este mês para a segunda revisão do acordo.
Levy defendeu mais uma vez a autonomia do governo nas definições de metas econômicas internas. Apesar de ter participado em janeiro de reuniões na sede do Fundo, em Washington, o secretário afirmou que as decisões de aumentar a meta de superávit primário para as contas do setor público consolidado este ano e do contingenciamento de despesas do Orçamento não foram discutidos com o FMI.
Temos diálogo e cooperação com o Fundo, mas tomamos as decisões por nossa conta. Não tivemos ninguém dando palpites, afirmou. Foi uma decisão de governo, absolutamente independente.
Apesar de alguns analistas terem ficado preocupados com a atenção dada pelos técnicos do FMI sobre questões mais econômicas e menos fiscais, nas reuniões que tiveram em São Paulo no início da semana, Levy ressaltou que essa atenção especial sobre a economia brasileira faz parte do segundo trabalho que está sendo desenvolvido pelo FMI este mês no País.
Além da revisão do acordo, os técnicos estão coletando dados para o relatório que será entregue à diretoria do Fundo sobre as perspectivas da economia brasileira. Todas as nações que trabalham com o FMI passam por esse tipo de análise uma vez por ano. Os técnicos precisam tomar o pulso da economia brasileira. Por isso, acabam buscando informações sobre crescimento do emprego, balanço de pagamentos e inflação, entre outros temas. É um interesse mais amplo, e não só fiscal, explicou.


