Confiança do consumidor tem pior índice desde 2009
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 4,3% em agosto, em relação a julho, passando de 106,9 para 102,3 pontos. É o menor nível desde abril de 2009, quando chegou a 99,7 pontos. As avaliações dos consumidores pioraram nos dois itens que compõem o ICC: o Índice da Situação Atual (ISA) caiu 5,1% e o Índice de Expectativas (IE) para os próximos seis meses diminuiu 1,1%.
O grau de satisfação com a economia no momento, que compõe o ISA, recuou 13,6% em relação a julho, ao passar de 75,7 para 65,4 pontos, pior resultado desde abril de 2009 (56,5). A proporção de consumidores que avaliam a situação como boa diminuiu de 16,7% para 12,5%, enquanto a dos que a julgam ruim subiu de 41% para 47,1%. Com relação aos próximos meses, o indicador que mede o grau de otimismo com a economia (que compõe o IE) caiu 3,9%. A parcela de consumidores projetando melhora diminuiu de 22,9% para 22,1%; a dos que preveem piora avançou de 28,4% para 30,3%.
A má avaliação do momento atual foi bastante afetada pela insatisfação quanto à geração de empregos. "A avaliação do mercado de trabalho afetou diretamente a expectativa sobre a economia", diz a coordenadora da sondagem, Viviane Seda. A deterioração da visão sobre o emprego ocorreu em todas as sete capitais pesquisadas pela FGV. Segundo Viviane, as famílias não pressentem grandes cortes de emprego, mas percebem que o ritmo de contratações está diminuindo.
A coordenadora diz que, apesar dos dois meses anteriores (junho e julho) terem registrado aumento no Índice de Confiança, os níveis históricos mostram queda desde 2012. "Nesses dois meses a gente teve um efeito positivo em relação à Copa do Mundo, especialmente nas sedes, por conta da organização positiva, contratações temporárias e movimento de turistas", afirma. A sondagem detectou, também, menor intenção de compra de bens duráveis por parte das famílias.
João Basílio Pereima Neto, chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que a economia esteja passando por um período de ajuste cíclico. "Num passado recente a economia cresceu bastante, só puxada por demanda, um crescimento que não tem fôlego; o consumidor foi se endividando, agora tem a parte da quitação das dívidas e ele não vai consumir mais nesse momento, é uma onda", explica.
Pereima visualiza a retomada do crescimento em 2015, com recuperação da atividade econômica a partir de investimentos do governo e da iniciativa privada. "No ano passado e neste ano os investimentos foram muito baixos; no ano que vem tendem a crescer, começa um novo ciclo", argumenta.
Empregos
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, não vê motivos para preocupação quanto ao mercado de trabalho em geral. "Os dados de julho mostram dificuldades em alguns setores, mas mantivemos a taxa de desemprego mais baixa da história, tanto nos dados do Dieese quanto do IBGE", diz.
Como segmentos afetados, ele aponta a indústria, especialmente a automotiva, que fechou postos de trabalho. "Tem uma questão pontual da indústria, não podemos dizer que é o conjunto do mercado de trabalho. Se pegarmos dados do início dos anos 2000, veremos que a taxa de desemprego chegou a mais de 20% e hoje está menos da metade", argumenta.



