Confiança do consumidor sobe 5% em outubro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Impulsionado pelo otimismo das famílias de baixa renda, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) disparou em outubro, com alta de 5% ante setembro. Este foi o segundo melhor resultado da série histórica do indicador, iniciado em setembro de 2005, e fez com que o índice saísse da estabilidade verificada no mês passado. Para a Fundação Getúlio Vargas (FGV) a boa perspectiva é reflexo de confiança na recuperação da economia e na melhora do mercado de trabalho. Esse cenário também puxou para cima as intenções de compra de bens duráveis nos próximos meses.
Segundo o coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, nos últimos meses a população de menor poder aquisitivo tem comandado a recuperação gradual na confiança do consumidor. A inflação baixa no período influenciou muito o humor dessas pessoas. ''Este ano, a inflação tem subido muito pouco. E a inflação dos alimentos, menos ainda'', afirmou, acrescentando que o preço dos alimentos tem mais peso no orçamento das famílias com renda mais baixa.
Para cálculo do ICC, foram pesquisados 2 mil domicílios em sete capitais, com entrevistas entre os dias 2 a 23 de outubro. Houve melhora tanto nas avaliações sobre a situação presente quanto nas expectativas para os próximos seis meses. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que subiu 6% em outubro, ante alta de 0,1% em setembro; e o Índice de Expectativas, que teve aumento de 4,6% em outubro, ante elevação de 0,8% em setembro.
A boa percepção quanto à situação atual foi beneficiada pela vitória, em vários Estados, de candidatos a governador em primeiro turno, na avaliação de Campelo. ''Parece que o ambiente político muito turbulento antes do primeiro turno estava contribuindo para 'segurar' a confiança do consumidor'', disse.
Porém, para o economista, não dá para dizer que o consumidor está completamente tranquilo em relação à sua situação atual. ''Tranquilo não é bem a palavra. Acho que o consumidor está mais é recuperando gradualmente sua confiança, ao longo desse segundo semestre'', disse. Essa recuperação tem beneficiado as projeções do consumidor em dois campos: mercado de trabalho e compras.
De setembro para outubro, aumentou de 1,2% para 1,4% a parcela dos que prevêem maior facilidade em conseguir emprego nos próximos seis meses. No mesmo período, diminuiu de 87,6% para 84,4% o porcentual dos que estimam maior dificuldade em arranjar emprego. Campelo explicou que o otimismo com a busca de trabalho despertou o interesse do consumidor pelas compras. ''Se o consumidor acha que vai ter emprego, ele pensa em comprar mais'', considerou.
De setembro para outubro, aumentou de 12,3% para 14,7% a parcela dos consumidores que pretendem comprar mais bens duráveis, nos próximos seis meses. Em contrapartida, caiu de 35,1% para 30,5% o porcentual dos que acham que os gastos serão menores.


