Curitiba - A confiança do consumidor registrou o menor nível desde maio de 2009. O índice que mede este sentimento recuou 1,7% em fevereiro, para 107,1 pontos, após se situar em 108,9 pontos na abertura deste ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda é de 7,7%. Com o resultado, o índice manteve-se abaixo da média histórica recente pelo 12º mês consecutivo. As informações foram divulgadas ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para o professor do curso de Economia da Faculdade Estácio, Daniel Poit, um dos motivos que têm feito a confiança do consumidor cair são os juros que subiram de forma significativa. "Isso faz as pessoas verem mais distante a possibilidade de consumir", explicou.
Além disso, segundo ele, os bancos estão mais seletivos para conceder crédito. Poit disse ainda que as manifestações populares e os atrasos nas obras da Copa do Mundo também fazem o consumidor ter uma visão negativa do futuro. O professor destacou que houve aumento do endividamento, o que também contribui para reduzir a confiança do consumidor.
Ele acredita que a avaliação do consumidor sobre novas compras não deve melhorar no curto prazo. A inflação atual também tem sido um desestímulo ao consumo, de acordo com ele.
O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, acredita que o que mais tem afetado as expectativas do consumidor em relação ao futuro é o Produto Interno Bruto (PIB), que está crescendo menos. Com isso, o trabalhador começa também a achar que pode perder o emprego no futuro. "A inflação também é um fator importante para deteriorar a confiança do consumidor", citou. Ele acredita que a tendência não é melhorar a confiança no curto prazo até por ser um ano complicado com Copa do Mundo e eleições.

Presente
A queda na confiança do consumidor foi influenciada principalmente pela piora das avaliações sobre o momento presente. O Índice da Situação Atual (ISA) caiu 2,9% para 112,3 pontos, o menor desde julho de 2013 (110,3 pontos). O Índice de Expectativas (IE) cedeu 1%, para 104,5 pontos, o mais baixo desde setembro de 2011 (104,1 pontos).
A proporção de consumidores que avaliam a situação econômica como boa aumentou de 14,2% para 15,2%, enquanto a dos que a julgam ruim subiu de 35,7% para 41%.
Em relação aos próximos meses, a parcela de consumidores que projetam melhora diminuiu de 26,5% para 26% e a dos que preveem piora cresceu de 23,1% para 26,5%.
A Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV é feita com base em uma amostra com cerca de 2 mil domicílios em sete das principais capitais brasileiras. A coleta de dados para a edição de fevereiro foi realizada entre os dias 31 de janeiro e 19 de fevereiro. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Confiança do consumidor é a menor desde maio de 2009
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