Rio - A insatisfação das famílias com a situação da economia aumentou em março, diante da inflação elevada, da deterioração do mercado de trabalho e dos temores de racionamento de água e energia. Ontem, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que 77,6% dos consumidores a avaliaram o momento atual da economia como ruim neste mês. O resultado contribuiu para a queda de 2,9% na confiança do consumidor na comparação com fevereiro.
Com o novo recuo, o indicador atingiu 82,9 pontos, pelo terceiro mês consecutivo o menor nível já atingido na série, iniciada em setembro de 2005. Abaixo de cem pontos, a indicação é de que o cenário é desfavorável para o consumo das famílias.
"Os consumidores estão mais endividados e percebem que é uma fase de aperto monetário, com juros mais altos. Então, ele quer fazer uma compra a prazo e percebe que está mais difícil. A inflação também está consumindo uma parcela do orçamento doméstico", explicou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.
A FGV incorporou recentemente os dados da confiança das famílias em suas projeções para o consumo das famílias e, diante dos últimos resultados, revisou sua estimativa para 2015, de um recuo de 0,3% para redução de 0,6%.

Preocupações

A inflação é o que mais preocupa as famílias de modo geral, citada por 55,9% do total. Na baixa renda, porém, problemas ou riscos para o abastecimento de água e energia elétrica superam o aumento de preços na lista de motivos para insatisfação. "Esses problemas (de abastecimento) afetam mais as rendas mais baixas. Na cidade de São Paulo, especificamente, esse é o item mais citado", disse Campelo.
Ao todo, 50,1% das famílias com renda mensal até R$ 2,1 mil mencionaram a questão do abastecimento, contra 47,6% no caso da inflação. Na faixa de renda mais elevada, a partir de R$ 9,6 mil mensais, o noticiário econômico acabou sendo a principal preocupação das famílias. O cenário adverso tem atingido em cheio o orçamento das famílias. Faz três meses que o número de consumidores que avaliam a situação das finanças como ruim supera a parcela dos que a consideram boa. Em março, 17,3% citaram que o momento é negativo, enquanto 15,7% consideraram como positivo.
Além dos percalços atuais, as expectativas também pioraram em março, com queda de 1,4% ante fevereiro. "Ainda não dá para dizer que a confiança vai evoluir num sentido favorável porque o consumidor continua ficando pessimista em relação ao emprego e à situação financeira", comentou o superintendente. Segundo a FGV, três a cada quatro consumidores acha que está difícil encontrar uma vaga de trabalho. Para os próximos meses, quase metade acha que a busca por emprego enfrentará ainda mais obstáculos.
"Esta situação eleva o medo frente à situação de desemprego e sustenta a expectativa de redução do poder de compra das famílias", avaliou o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada.

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