Rio de Janeiro - A despeito dos claros sinais de recuperação econômica, os consumidores chegaram menos confiantes ao último mês de 2009. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) caiu 2,4% em dezembro ante novembro, o primeiro recuo após nove meses de sinais positivos. Para a coordenadora da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Viviane Seda, fatores como a antecipação de consumo com maior endividamento, além da preocupação com a inflação e o aumento dos juros em 2010, justificam a queda.
Segundo Viviane, apesar do recuo ante o mês anterior, na série com ajuste sazonal, o índice registrou aumento de 17,1% na comparação com dezembro do ano passado.''É um indicador ainda favorável, o nível de confiança ainda é elevado, mesmo com a redução ante novembro'', disse.
Ela observou que ''com os incentivos fiscais, o consumidor antecipou as compras de final de ano e está mais endividado, a pesquisa agora reflete os efeitos disso''.
O índice ficou em 112,3 pontos em dezembro, ante 115,1 pontos em novembro. Quanto mais perto de 200, maior o nível de confiança. ''O consumidor se endividou e agora está preocupado em quitar as dívidas'', disse Viviane. Segundo ela, apesar da queda no ICC no último mês do ano, o Brasil mostrou uma recuperação mais rápida do consumidor, após as fortes turbulências do final do ano passado, do que a Europa, os Estados Unidos e a Argentina.
De acordo com a coordenadora, os consumidores estão preocupados com a perspectiva de alta na inflação e nos juros em 2010. ''Esses são fatores muito importantes para os consumidores na sua percepção de futuro e eles estão ouvindo especialistas chamarem atenção para essa perspectiva de aumentos de preços e juros'', disse.
Segundo a pesquisa da FGV, a estimativa de inflação (IPCA) dos consumidores nos próximos 12 meses subiu de 6,3% em novembro para 6,6% em dezembro. Enquanto 25,1% dos entrevistados acreditavam em aumento dos juros em novembro, esse porcentual subiu para 29,5% em dezembro.
Viviane acredita também que mesmo com a confiança dos consumidores um pouco mais baixa do que no mês passado, o Natal vai ser de boas vendas para o comércio. ''A expectativa de consumo de bens duráveis mostra que este Natal deve ser melhor do que em 2008, mesmo que não chegue ainda a ser mais forte do que em 2007'', disse.
De acordo com a pesquisa, do total de entrevistados em dezembro, 27% pretendiam diminuir as compras de bens duráveis nos próximos meses. Em dezembro de 2009, esse porcentual era de 36,1%. A pesquisa foi realizada com base numa amostra de mais de 2000 domicílios em sete das principais capitais brasileiras.

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