Curitiba - O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 2,2% em outubro na comparação com setembro. O indicador, que se mantém abaixo do patamar médio histórico há oito meses, recuou depois de ter alta de 1% em setembro e de 4,4% em agosto.
Para o professor do curso de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, o que pode ter levado a esse resultado é que o consumidor está mais preocupado com as novas aquisições que pretende fazer, isso porque o grau de endividamento aumentou e a economia não está mais tão aquecida. Além disso, o País está próximo do pleno emprego, mas para as pessoas com maior escolaridade o mercado de trabalho está pior, segundo ele. Para Curado, isso tudo reflete nesse índice de desconfiança do consumidor.
Ele também acredita que esta confiança do consumidor pode afetar as vendas de Natal. O ICC fechou outubro em 111,7 pontos, mantendo-se abaixo da média dos últimos 60 meses (114,9 pontos) pelo oitavo mês consecutivo. O índice é calculado dentro de uma escala de pontuação de até 200 pontos (quanto mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor).
"Vejo com estranheza esse resultado de outubro. Estamos em um período do ano que deveria sinalizar crescimento da confiança do consumidor", disse o professor do curso de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia. Ele acredita que neste mês já era para ter uma pequena recuperação do comércio. "É um cenário preocupante", acrescentou o economista. Ele acredita que neste ano o comércio terá que investir mais em marketing e propaganda para alavancar as vendas de Natal.
O ICC é dividido em dois indicadores - o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativa (IE). O ISA mostrou queda de 0,6%, ao passar de 121,3 para 120,6 pontos. No mês anterior, ele havia subido 3,5%. Já o IE caiu 3,0%, de 110,8 para 107,5 pontos. Em setembro, o IE havia avançado 0,4%.
O IE mostra que a expectativa futura está mais negativa que a atual. "Não há nada para a frente que garanta melhora na economia", explicou Curado. Ele lembrou que também não existe indicador de melhora significativa em 2014. Segundo ele, até as expectativas em relação à Copa do Mundo caíram bastante.

Satisfação
Após dois meses sustentando altas do ICC, as avaliações dos consumidores em relação à economia no momento atual foram menos favoráveis em outubro. O indicador que mede a satisfação com a economia local caiu 2,6%, para 81,0 pontos. Entre setembro e outubro, a proporção de consumidores que avaliam a situação atual da economia como boa diminuiu de 17,3% para 16,2%, enquanto a dos que a julgam ruim subiu de 34,1% para 35,2%.
Com relação aos seis meses seguintes, houve piora no quesito que mede o otimismo em relação às finanças pessoais. O indicador cedeu 2,3%, ao passar de 136,0 pontos para 132,9 pontos, o menor desde janeiro de 2012 (129,7 pontos).
A parcela de consumidores que projetam melhora da situação financeira familiar diminuiu de 39,8% para 37,2%, enquanto a dos que preveem piora aumentou de 3,8% para 4,3%. O levantamento abrange amostra de mais de 2 mil domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 30 de setembro e 19 de outubro. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Confiança do consumidor cai 2,2% em outubro
mockup