O Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) caiu pela 11ª vez consecutiva em maio, quando recuou 3,3% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo divulgado ontem pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Na opinião de especialistas paranaenses, há indicação de que o setor assumiu postura de cautela diante do cenário econômico de inflação, crise mundial e crescimento pequeno do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Por outro lado, não há tendência à redução dos níveis de emprego, que podem até crescer para acompanhar as necessidades do mercado no próximo semestre.
O relatório aponta ainda a desaceleração nas vendas do comércio varejista desde a segunda metade de 2012. Apesar do aumento de 3,5% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, o indicador ficou abaixo dos 8,9% de crescimento do setor nos três primeiros meses de 2012 na comparação com 2011.
Para o diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcelo Ontivero, o aumento de consumo não se refletiu em incremento no PIB e houve maior endividamento e inadimplência. Por isso, ele vê a necessidade de cautela. "Quando a confiança cai, significa que o empresário gastará menos", diz.
Ele cita o reajuste, na semana passada, da taxa básica de juros, a Selic, de 7,5% para 8%, como exemplo de que o governo federal não vê mais o consumo interno como motor de desenvolvimento. Como resultado, Ontivero acredita que os lojistas trabalharão com estoques de giro mais rápido, mas descarta risco de demissões. "Vai existir cautela na hora de contratar, mas o mercado ainda está favorável", diz. A CNC estima que sejam criados 300 mil postos de trabalho no setor neste ano, o que representa 90 mil vagas a menos do que as 390 mil geradas em 2012.
Consultor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor executivo do Datacenso, Claudio Shimoyama afirma que o comércio é o último a sentir qualquer queda na cadeia produtiva, na outra ponta do que ocorre com a indústria. Por isso, também vê a manutenção dos postos de trabalho. "Alguns setores, como materiais de construção, supermercados e farmácias vêm crescendo e contam com mais investimentos, o que, na média, influencia o setor."
Shimoyama lembra que a ACP também fez levantamento recente sobre o tema, que indica maior desconfiança do consumidor e, por consequência, dos empresários. De fato, o destaque negativo no relatório da CNC divulgado ontem foi o subitem que mede as condições atuais do comércio, que caiu 6,9% sobre maio de 2012. A maior influência neste quesito recai exatamente na percepção sobre a economia nacional, com retração no índice de 14,1%.

Até dezembro
O economista Fabio Bentes, da CNC, acredita que o reajuste da Selic deve gerar mais resultados negativos em curto prazo. "Mas, se surtir efeito sobre a inflação, vai, lá na frente, ajudar o comércio, porque boa parte da queda das vendas é explicada pela inflação, principalmente, em alimentos", diz. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Confiança de comerciantes cai pelo 11o mês seguido
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