São Paulo - A confiança da indústria sinalizou para mais um mês de queda em junho. Na prévia anunciada ontem, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 3,4%, após uma redução de 5,1% verificada em maio, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). "É mais uma queda expressiva. A indústria está com ânimo similar a períodos de recessão", disse o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.
Segundo ele, a visão dos empresários sobre a demanda interna é ruim, e a percepção sobre a demanda externa também tem mostrado deterioração, muito influenciada pelo cenário econômico na vizinha Argentina. "Essas turbulências provocam desânimo nos empresários, que ainda não veem cenário de recuperação."
A confiança está nos 87,6 pontos de acordo com o dado preliminar, o menor nível desde maio de 2009. "Uma confiança tão baixa assim é desestímulo a investimentos e contratações", salientou Campelo. Essa "retranca" nos investimentos deve ser reforçada ainda pela baixa possibilidade de que haja uma virada no cenário da indústria até o fim do ano.
Diante do pessimismo do empresariado, a indústria de transformação deve novamente ser uma contribuição negativa para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre deste ano, avaliou o superintendente. Mas parte disso pode melhorar a partir de julho, com alguma correção dos resultados e leve melhora na confiança. "Ainda tem um superpessimismo", pondera Campelo, ressaltando que nenhuma recomposição deve compensar o terreno perdido nos últimos meses, nem dar sinais de que a indústria recuperou o vigor.

Copa do Mundo
A despeito do efeito negativo da Copa do Mundo sobre a produção, devido às paralisações e os feriados, o Mundial ainda pode dar uma contribuição positiva, avalia Campelo. "Caso a Copa termine bem, há a possibilidade de melhorar a confiança do consumidor. A Copa vista com melhores olhos poderia dar mais ânimo à indústria", disse o superintendente.

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