Confiança da indústria recua 1,5% em dezembro
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Agência Estado 
São Paulo - O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 1,5% em dezembro ante novembro, passando de 85,6 para 84,3 pontos, após dois meses em alta, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). A queda do ICI na comparação mensal foi impulsionada pelo resultado do Índice da Situação Atual (ISA), que recuou 2,2%, para 84,0 pontos. O Índice de Expectativas (IE) registrou queda de 0,9%, passando a 84,6 pontos.
A maior contribuição para a queda do ISA em dezembro veio do item que sinaliza o grau de satisfação com o nível de demanda. O indicador recuou 6,1% entre novembro e dezembro, ao passar de 81,5 para 76,5 pontos, revertendo boa parte da alta de 10,7% registrada no mês anterior. A proporção de empresas avaliando o nível de demanda como forte diminuiu de 8,8% para 7,6%, enquanto a parcela de empresas que o avaliam como fraco aumentou, de 27,3% para 31,1%.
Já a maior contribuição para a queda do IE foi o indicador de produção prevista. O dado recuou 4,6% sobre o mês anterior, para 109,4 pontos, o menor nível desde julho (106,8 pontos). A proporção de empresas que preveem aumentar a produção nos três meses seguintes caiu de 35,0% para 32,4%; a parcela das que esperam reduzir a produção aumentou de 20,3% para 23,0%.
A FGV também informou que entre novembro e dezembro o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 1,4 ponto porcentual (p.p.), ao passar de 82,7% para 81,3%.
A queda de 1,5% do ICI em dezembro após dois meses seguidos de alta deve ser interpretada como um movimento de acomodação, avaliou ontem a pesquisadora do Ibre/FGV Tabi Thuler Santos, ao comentar os resultados do indicador. Isso porque, segundo ela, o recuo não foi suficiente para anular os avanços de outubro (1,8%) e novembro (3,6%), permitindo que o ICI fechasse o quarto trimestre em alta de 1,4%, após quedas de 9% e 7% no terceiro e segundo trimestres do ano, respectivamente.
"Terminamos o ano parecido com como ele começou. Após leituras não tão positivas das últimas altas, voltamos com essa queda, o que mostra que o ensaio de recuperação do setor no quarto trimestre não se concretizou", avaliou. Tabi diz que dependendo de como a economia reagir ao "arrocho fiscal" prometido pela nova equipe econômica do governo, a confiança da indústria poderá voltar a subir no segundo semestre do próximo ano.


