Confiança da indústria recua 0,7% em maio
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
Vinícius Neder<br>Agência Estado 
Rio - A confiança na indústria está tão baixa quanto em 1998, como mostra a prévia de maio da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mas parece estacionada nesse fundo do poço, sem novas quedas drásticas. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) apurado na prévia de maio ficou em 72,3 pontos, queda de 0,7% frente ao indicador definitivo para abril, e menor nível da série mensal iniciada em outubro de 2005. Considerando o período de 1995 a 2005, quando a pesquisa era trimestral, o ICI da prévia de maio seria o menor desde outubro de 1998 (69,5).
Para o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Aloisio Campelo, a prévia aponta para uma repetição do cenário dos últimos meses. A confiança da indústria estacionou em níveis baixos, semelhantes aos da fase mais aguda da crise internacional (início de 2009), mas tampouco afunda além disso.
"O que há é um desalento com seguidas frustrações", afirmou Campelo, citando meses seguidos de queda na produção, achatamento de margens e baixa utilização de capacidade. Na virada do ano, segundo Campelo, houve uma melhora na confiança, puxada por uma melhora na competitividade por causa da desvalorização do real frente ao dólar.
Segundo a prévia da sondagem, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria atingiu 79%. O resultado, já livre de influências sazonais, é superior ao apurado no resultado final da sondagem de abril (79,9%). Para piorar o quadro de desalento, continuou Campelo, não há ainda sinais de luz no fim do túnel. O resultado da prévia de maio foi puxado pela piora das avaliações sobre o momento presente. A prévia de maio demonstra que o Índice da Situação Atual (ISA) recuou 1,1%, para 75,3 pontos. Enquanto isso, o Índice de Expectativas (IE) caiu 0,3%, para 69,4 pontos.
Campelo chamou atenção para uma comparação com o quadro do início de 2009. Naquela ocasião, o ISA estava em nível abaixo ao atual, mas o IE estava acima, ou seja, os empresários da indústria reconheciam o quadro como muito ruim, mas vislumbravam uma saída no médio prazo.


