Confiança da indústria caiu 8,2% em março
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terça-feira, 24 de março de 2015
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - A confiança da indústria atingiu em março o quinto pior nível em 20 anos de sondagem do setor, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O indicador prévio do mês caiu 8,2% ante fevereiro, para 76,2 pontos, na série com ajuste sazonal, puxado principalmente pela deterioração das avaliações sobre o momento atual da economia. Mas as expectativas também pioraram, sinal de que empresários avaliam que a situação pode piorar antes de melhorar.
Apenas em outubro de 1998 e no período entre dezembro de 2008 e fevereiro de 2009 a confiança foi menor do que o indicado na prévia deste mês. A desaceleração da atividade, os juros em elevação e o esfriamento da demanda têm desanimado os empresários, que também assistem à queda na lucratividade.
"Os fatores preponderantes são os relativos à economia no curto prazo, e não há sinais de que isso deve se reverter", afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.
O economista Rafael Bacciotti, da consultoria Tendências, acredita, porém, que há fatores além da questão econômica por trás da queda da confiança. "Os desdobramentos da operação Lava Jato sobre o nível de atividade, além do racionamento hídrico na região Sudeste e da possibilidade de corte de energia, são fatores que estão afetando as decisões de investimento das empresas e devem manter a confiança em patamares deprimidos ao longo do ano", disse. "De fato, já existe muita repercussão sobre os efeitos da Lava Jato na paralisação de obras e nas demissões no segmento da construção civil e na cadeia de fornecedores da Petrobras", acrescentou Bacciotti.
A desvalorização do real ante o dólar beneficiaria exportações e seria uma válvula de escape para o mau momento vivido pela indústria. No entanto, os efeitos no curtíssimo prazo são principalmente aumentos de custos. "O câmbio, neste momento, não consegue contrapor efeitos da desaceleração da economia", disse Campelo.
O cenário corrobora projeções de que o investimento terá novo recuo em 2015. Na prévia de março, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) atingiu 80,8%, o menor nível desde julho de 2009, e o acúmulo de estoques persiste diante da demanda cada vez mais desaquecida. "Há vários setores que estão mais ociosos. Isso chama menos investimento e gera engavetamento de projetos", afirmou o superintendente.
Além disso, as expectativas para os próximos seis meses seguem piorando. Na prévia deste mês, o recuo foi de 7,2%. "Na visão das empresas, a situação ainda pode piorar antes de melhorar", disse Campelo. Com menos apetite para investir, as empresas tampouco devem contratar nos próximos meses.


