Rio - A percepção de novo acúmulo de estoques na indústria, a desaceleração no consumo das famílias e o menor ritmo de crescimento dos investimentos pesaram para a queda de 1,1% na apuração preliminar do Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). "O resultado é uma ducha de água fria em relação a expectativas de uma recuperação continuada", afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.
Além desses fatores, o economista diz que o temor entre os empresários de que haja racionamento de energia elétrica pode estar começando a entrar no radar como um fator de incerteza. "Há uma conjunção de fatores, e essa questão também pode estar colaborando", disse.
Segundo Campelo, o recuo apontado na prévia do ICI de fevereiro confirma a tendência de queda nas expectativas dos empresários observada no mês passado. "O ambiente econômico mudou a partir do terceiro trimestre. A redução da demanda interna não está sendo compensada pela demanda externa, mesmo com o dólar mais valorizado", disse. "O que vemos é que a indústria continua muito ruim", acrescentou.
O ciclo de elevação dos juros, iniciado em abril, a desaceleração do consumo (principalmente de bens duráveis) e o alto endividamento das famílias prejudicaram a demanda interna, que recebe cerca de 80% do que produz a indústria nacional, explicou Campelo.
O economista lembra ainda que os estoques vinham se ajustando até janeiro, depois de chegar a níveis elevados no fim de 2013, mas a piora desse índice demonstra que a previsão de demanda menor feita pelos empresários ainda foi otimista. Além disso, o cenário de fraca atividade pode ser agravado pelo fim de alguns benefícios, como desonerações fiscais. "Isso provoca queda nas expectativas", observou Campelo.

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