Confiança cresce após 3 meses de queda
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sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Janaina Lage<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro A 22 segunda edição da Sondagem de Expectativas do Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela melhora na confiança do consumidor após três meses seguidos de queda. A pesquisa revela também que, apesar de mais confiante na economia, houve aumento no número de endividados. Com isso, a maioria dos entrevistados planeja gastar menos no futuro.
A retomada da confiança do consumidor se limita à avaliação da situação atual da economia. As expectativas quanto ao futuro mostraram redução no pessimismo, mas ainda representam o segundo pior resultado da série histórica da pesquisa.
A FGV avalia que a recuperação de parte da confiança perdida nos últimos meses pode indicar um início de mudança de percepção do consumidor em razão dos resultados relativamente favoráveis da economia em meio ao cenário de crise política.
Para 37,3% dos entrevistados, a situação econômica do país piorou nos últimos seis meses. Em agosto este percentual era de 39,9%. Na avaliação de 12,2% dos consumidores entrevistados, houve melhora no período, um percentual superior ao do mês passado, quando apenas 9,5% dos consumidores viam o desempenho da economia com otimismo.
Em relação a futuro, o percentual de consumidores que apostam em melhora da economia nos próximos seis meses passou de 25,6% para 29,8% do total, voltando ao patamar de julho. A proporção dos que crêem em piora caiu de 24% em agosto para 22,7% em setembro.
A percepção do consumidor quanto a situação econômica da família também apresentou recuperação. Houve aumento de 15,2% para 16,7% na parcela dos que avaliam que a situação atual é melhor do que há seis meses. O percentual dos que a consideram pior passou de 20,7% para 18,8%.
O consumidor também prevê melhora da situação econômica da família no futuro. Para 52,9% haverá melhora nos próximos seis meses. Em agosto, este percentual era de 46,7%. Os pessimistas representam 7% dos entrevistados.
Apesar da melhora na avaliação, a pesquisa mostra um aumento no número de endividados. A parcela de consumidores que se dizem endividados passou de 28,3% para 31,9% em setembro. Apenas 12% afirmaram ter conseguido economizar e poupar no fim do mês. A diferença entre endividados e poupadores, de 19,9 pontos percentuais, é o pior resultado da série histórica.
Diante do cenário de aumento do número de endividados, as projeções para os gastos com bens de alto valor (como automóveis e eletrodomésticos) nos próximos seis meses caiu. A parcela de entrevistados que pretendem gastar mais no futuro passou de 12,8% para 10,7% e a dos que planejam gastar menos passou de 49,3% para 54,5%. A diferença entre os que pretendem cortar gastos e ampliar despesas atingiu 43,8 pontos percentuais, o pior resultado da série histórica.


