Conferência sobre a fome abre-se em clima de descrédito
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terça-feira, 12 de novembro de 1996
Roldão O. Arruda, Agencia Estado 
O descrédito e a dúvida rondam a Conferência Mundial Sobre Alimentação, que começa amanhã. Ela foi programada há dois anos e meio, com o objetivo de reunir 196 chefes de Estado e discutir formas de acabar com a fome crônica que atinge cerca de 800 milhões de pessoas ao redor do planeta.
Havia dúvidas quanto ao alcance das decisões que seriam tomadas e, finalmente, não se podia escapar da sombra do genocídio no Zaire. Se os organismos internacionais não conseguem entregar alimentos a um povo que está sendo dizimado diante de câmeras de TV, como é possível um encontro tão pomposo para discutir formas de eliminar a fome no mundo?
Essa pergunta foi feita ontem ao homem que organizou a conferência, o senegalês Jacques Diouf. Ele é o diretor da FAO, responsável pelo setor de alimentos e agricultura. Diouf respondeu que o objetivo do encontro não é discutir questões de emergência, mas preparar o mundo para evitar outras tragédias.
O que está ocorrendo no Zaire havia sido previsto e anunciado há muito tempo, disse Diouf. Se houvesse uma política mundial para garantir o mais elementar dos direitos humanos, que é o de não padecer de fome, não teríamos mais tragédias como esta.
A meta da FAO é levar os governantes a assumir compromissos de combate à fome. Se eles forem cumpridos, no ano 2015 o número de pessoas que não têm acesso aos alimentos necessários para o sustento será de 400 milhões, em vez dos atuais 800 milhões.


