O Brasil e os demais países em desenvolvimento correm o risco de passar mais alguns anos sofrendo os efeitos de regras internacionais que dificultam a maior participação dessas economias no mercado mundial. Na noite de sábado, a Organização Mundial do Comércio (OMC) distribuiu um segundo rascunho do texto da declaração da conferência de Doha, que ocorre em duas semanas. Algumas das principais reivindicações dos países em desenvolvimento, porém, ainda estão longe de serem atendidas.
Um dos principais problemas é a falta de entendimento entre os Estados Unidos e os países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil, sobre uma declaração que esclareça a relação entre políticas de saúde e regras da patentes. O Brasil quer um documento de caráter político que explicite que nenhuma regra da OMC pode ser um obstáculo para a aplicação de programas de saúde. Washington se recusa a aceitar tal declaração.
Diante da falta de consenso, a saída do coordenador das negociações, Stuart Harbinson, foi deixar a questão em aberto e apresentar um texto com duas opções. A primeira partiu do Itamaraty e é apoiada por outros 50 governos, principalmente os africanos. A segunda opção é um texto mais limitado, proposto pelos Estados Unidos. Mas para o Brasil, a proposta de Washington não esclarece a relação entre as leis de patentes e políticas de saúde.
Mas os problemas não param por aí. O parágrafo sobre agricultura é idêntico ao apresentado pela OMC no primeiro rascunho da declaração, feito há mais de três semanas.

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