Conferência da OMC termina em impasse
Clóvis Rossi
Da Agência Folha
A 3ª Conferência Ministerial de Seattle terminou na noite de sexta-feira (madrugada de sábado em Brasília) exatamente como começara: em total impasse, o que forçou o adiamento da convocação da Rodada do Milênio, o novo e abrangente ciclo de negociações comerciais planetárias. Convocar a rodada era o objetivo principal da reunião de ministros dos 135 países-membros da organização.
Mas a agenda era tão carregada de divergências que não foi possível chegar a um acordo nem durante meses de negociações prévias em Genebra nem nos quatro frenéticos dias que durou a Conferência de Seattle. Resultado: a reunião foi suspensa. O diretor-geral da OMC, o neozelandês Mike Moore, ficou incumbido de estudar em profundidade o processo de negociação, de forma a combinar transparência com eficácia. Feito o estudo, o diretor-geral convocará, o mais breve possível , o reinício da Conferência para afinal chegar-se, se for possível, à Rodada do Milênio.
A tentativa de obter um consenso sobre o documento final ocupou representantes de 25 países, os principais atores do jogo comercial planetário, das 7h (13h em Brasília) até 21h15. Quatorze horas de inútil esforço.
O Brasil deixou de ganhar US$ 11 bilhões em exportações adicionais de produtos agrícolas e agribusiness em consequência do fracasso de Seattle. Pelos cálculos do ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, seria essa a quantia que se poderia acrescentar às exportações brasileiras, em três anos, com a redução do protecionismo agrícola, um dos objetivos teóricos da nova rodada que seria convocada em Seattle. Cerca de metade do ganho (US$ 5 bilhões) viria do natural aumento de preço dos produtos agrícolas, na medida em que a redução dos subsídios levaria à uma diminuição da produção. Com menos oferta, os preços tendem a subir. Os outros US$ 6 bilhões decorreriam de um aumento das exportações por conta da derrubada do muro protecionista.
O Ministério já identificou oito produtos sobre os quais concentrará o esforço exportador brasileiro: açúcar, álcool, frutas, carne bovina, carne de frango, carne suína, óleo de soja e laranja. Se, de fato, o País conseguir aumentar em US$ 11 bilhões suas exportações, representará um acréscimo de 20% em relação ao total vendido ao exterior em 1998 (US$ 51 bilhões).





