Confepar quer abrir indústria em Panambi, no interior gaúcho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de julho de 2013
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A Confepar planeja instalar uma fábrica de processamento de leite em Panambi, região Noroeste do Rio Grande do Sul. O investimento já vinha sendo planejado antes de o nome da cooperativa, que tem sede em Londrina, ser incluído na investigação sobre adulteração do leite realizada pelo Ministério Público gaúcho, no início de maio.
O presidente da empresa, Renato Belesi, não quis dar detalhes sobre o investimento. "Não temos muito o que declarar porque aconteceu muita coisa envolvendo nossa imagem", disse ontem à tarde à reportagem. Segundo ele, a intenção da Confepar não é transferir a sede para o Rio Grande do Sul, mas ampliar a atividade. "Estamos finalizando as negociações", afirmou.
O prefeito de Panambi, Miguel Schmitt-Prym, disse à FOLHA que está tudo "certo" para a instalação da fábrica. "Ainda neste mês resolveremos a questão do terreno (que será doado à cooperativa) e esperamos que as obras comecem em breve", declarou. De acordo com o prefeito, serão gerados 50 empregos diretos na indústria. "Mas o que nos interessa mesmo é o fomento à produção local", disse. Schmitt-Prym conta que o município tem 3 mil pequenas propriedades produtoras de leite.
Questionado se as denúncias do Ministério Público contra a Confepar não o preocupa, ele negou. "Eu visitei a fábrica em Londrina e achei o controle de qualidade da empresa fantástico", ressaltou. Junto com o presidente da Câmara de Panambi, o prefeito veio a Londrina em fevereiro. De acordo com comunicado distribuído pela prefeitura local, a fábrica deverá ter cerca de 500 funcionários em três anos e industrializar aproximadamente um milhão de litros de leite por dia após esse período.
O Laboratório Central do Estado (Lacen) não encontrou vestígios de substâncias impróprias em análise do leite da Confepar. Mas o MP gaúcho diz que há "provas contundentes" de que a cooperativa com sede em Londrina recebeu quase dois milhões de litros de produto adulterado com formol e ureia entre janeiro e maio deste ano. O promotor Mauro Rockembach disse à FOLHA que "o MP possui o extrato das contas do transportador delator, demonstrando mês a mês os depósitos realizados pela Confepar para o pagamento do frete e recebimento do leite".
Em nota divulgada em maio, a Confepar informou que as afirmações feitas pelo transportador ao MP "são infundadas e trata-se de uma estratégia da quadrilha responsável pela adulteração do leite no Rio Grande do Sul, buscando desviar a atenção da mídia e da investigação, para as indústrias". "Estamos entrando em contato com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, para que possamos apresentar a nossa defesa", dizia a nota.


