A Cooperativa Central Agroindustrial Ltda (Confepar) comprou a marca Cativa-Cooperativa Agropecuária de Londrina por R$ 1,5 milhão com parcelas para mais de 10 anos. Isto significa que os 80 mil litros de leite que estavam sendo industrializados por dia pela Cativa passaram a ser entregues na Confepar que já está comercializando o leite Cativa desde o dia 1º de janeiro. Além de ter 33% das ações da Confepar, a Cativa fica agora com nove lojas agropecuárias - uma em Londrina e as demais na região.
A negociação sigilosa já durava alguns meses e foi aprovada em assembléia realizada no mês de dezembro entre os cooperados da Cativa. O próximo passo agora é colocar à venda o prédio da Cativa, localizado na Rua Bélgica, no Jardim Igapó (Zona Sul). O presidente da Cativa, Adir Salla, informou que vai pedir, num próxima assembléia com os cooperados, autorização para a venda do imóvel. Se isso ocorrer, a loja agropecuária que funciona hoje nas instalações da Cativa, deverá mudar de endereço.
As atividades na Cativa já estão entrando na reta final. O setor de industrialização fecha as portas no dia 22 de janeiro e a parte operacional vai funcionar no local até o mês de março, quando irá ocorrer uma próxima assembléia. Com a negociação, parte dos cerca de 100 funcionários será reaproveitada pela Confepar e, possívelmente, haverá algumas demissões.
''A Cativa não faliu. Vendemos apenas a marca Cativa à Confepar'', justificou Salla ao comentar os motivos da venda. Segundo ele, desde 1998, a Cativa passou a entregar toda sua produção à Confepar, que não lhe pagou nada por isso, mas em agosto do ano passado a cooperativa havia reativado a indústria e estava comercializando os leites pasteurizado, longa vida e o iogurte. Ao voltar a comercializar seus produtos no ano passado, segundo ele, a Cativa podia ser eliminada com base no estatuto das cooperativas que tem as cláusulas sempre atualizadas. ''Ou pedíamos a demissão da central (Confepar) ou seríamos eliminados por ela''.
Nesses últimos seis meses, Salla conta que houve um assédio grande da Confepar para voltar a comercializar o leite Cativa.'' Sentamos por diversas vezes para negociarmos e, na assembléia do dia 14 de dezembro, os cooperados decidiram pela venda da marca, que é bastante forte no mercado'', explicou. O marketing agressivo da Confepar em cima de seus produtos, principalmente do leite Polly, também pesou na decisão dos cooperados, pois a central é composta por 8 cooperativas do Estado e produz uma média de 1 milhão de litros de leite por dia. Nos próximos meses, com a instalação de uma torre de secagem de leite, a Confepar vai chegar a produzir 1,5 milhão de litros/dia.
A Cativa, que já chegou a ter 1.000 cooperados, está hoje com 400. Na década de 90, a cooperativa chegou a produzir 180 mil litros de leite por dia. O produtor associado à Cativa, Vital Carraro, disse que a cooperativa não tinha opção. ''A atividade poderia ser inviável. Imagina você ter um boteco ao lado de um Carrefour'', comparou ele. Foi melhor fazer o acordo e vender a marca, segundo Carraro, do que tentar continuar já que o futuro da cooperativa era imprevisível. Além do estatuto das cooperativas estarem sempre sendo alterados, a Confepar é sólida e trabalha com volume grande de leite em pó, exportando para vários países. A diretoria da Confepar preferiu não falar sobre o negócio.

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