As vendas do comércio lojista deste ano, que vinha tendo um mau desempenho até setembro passado, podem fechar dezembro com uma boa surpresa para os comerciantes, especialmente para aqueles que operam com produtos de menor valor unitário. Segundo o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Carlos José Stupp, se os juros continuarem sendo reduzidos a um patamar inferior a 30% anuais até o final deste mês, o setor poderá alcançar um crescimento de até 10% sobre o resultado do ano passado, quando as vendas totalizaram R$ 180 bilhões.
A avaliação do presidente da CNDL é feita com base nos dados de outubro, que já apontam para uma recuperação do setor. Conforme pesquisa feita pela Confederação junto aos Serviços de Proteção ao Crédito (SPCs) de 70 cidades brasileiras, as consultas feitas ao órgão sobre concessão de crédito aumentaram, em média, 3,93% em outubro passado com relação a setembro, enquanto as consultas sobre cheques no mesmo período subiram 4,15%, em média. Embora esse crescimento sinalize uma reversão nas expectativas pessimistas que vinham sendo delineadas para o comércio, Stupp diz que os números de outubro ainda estão abaixo de outubro de 1997, registrando uma queda de 6,46% para as consultas sobre crédito e de 19,74% sobre cheques.
O presidente da CNDL explica que a mudança no comportamento do comércio começou em outubro, quando as vendas referentes ao Dia da Criança já causaram surpresa.
Na avaliação do Carlos Stupp, os setores que podem ser mais beneficiados neste Natal são aqueles que possuem menor valor unitário de venda, como calçados, vestuário e pequenos presentes. Os consumidores, afirma, temerosos com o futuro - em especial com o desemprego -, optarão por não se endividarem, adquirindo presentes mais baratos. Em contrapartida, áreas como a de eletrodomésticos, que têm maior dependência das taxas de juros para venda à crédito, deverão continuar com mau desempenho. ‘‘Esses setores hoje já vêm sofrendo mais que os outros’’, observa.
Segundo o presidente da CNDL, a melhora no desempenho do comércio lojista também está sendo estimulada pelo menor índice de inadimplência, na medida em que os comerciantes se tornaram mais criteriosos para conceder crédito. A expectativa, conforme ele, é a de que a devolução de cheques sem fundos, que desde o final do ano passado vinha sendo de 11,3 cheques para cada mil cheques compensados, caia para sete a oito cheques até o final do ano.
Carlos Stupp diz que o próprio consumidor também tem contribuído para a redução do grau de inadimplência, uma vez que está evitando fazer compras com crediário longo. A preferência nas vendas atualmente, conforme ele, é a de pagamento à vista ou pagamento a curto prazo, onde o crediário máximo é de 90 dias. Conforme ele, nos últimos três anos os pagamentos com cheque vêm tendo um decréscimo de cerca de 50%, seja porque as empresas estão dando preferência para pagamento com cartão de crédito ou porque estão terceirizando seus crediários.
O levantamento da CNDL junto aos SPCs no mês de outubro indica que as variações na consultas sobre crédito no mês passado em relação a setembro foram positivas nas regiões Nordeste (7,53%), Centro-Oeste (6,97%), Norte (6,3%), e Sudeste (2,68%). No Sul, contudo, o número de consultas caiu 1,11%. Com relação a outubro do ano passado, no entanto, houve queda no total de consultas na maioria das regiões: no Sul (-17,07%); Sudeste (-9,19%); Norte (-5,96%); e Nordeste (- 2,89%). O índice só foi positivo no Centro-Oeste, com uma alta nas consultas no mês passado em comparação a igual mês de 1997, de 14,89%.

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