Confecções projetam recuo de 10%
O otimismo dos fabricantes de aquecedores, alimentos e bebidas de inverno não contagiou os donos de confecções. Nas contas do presidente da Associação Brasileira da Indústria do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, que representa 17 mil empresas, as vendas de artigos de inverno deverão recuar 10% este ano sobre igual período de 1997.
Roupa de inverno é um problemaço, diz Chadad. Ele explica que o volume a ser produzido tem de ser programado com quatro meses de antecedência, além de o preço final da roupa de inverno ser superior ao da mercadoria de verão.
Com as altas taxas de juros, lojistas e confeccionistas estão receosos em fazer grandes estoques e depois não conseguir escoar as mercadorias. A maioria dos comerciantes está comprando devagarinho e só grandes magazines encomendam com antecedência, diz Chadad.
Além do risco de não escoar mercadorias por falta de demanda, ele argumenta que a concorrência dos produtos vindos do Mercosul tem atrapalhado as vendas do setor nesta época do ano. Em 1997, por exemplo, as vendas de produtos originários dos países do Mercosul responderam por 40% do faturamento de artigos de inverno, que foi da ordem de US$ 230 milhões.
A saída para se resguardar da concorrência dos produtos estrangeiros e de um possível encalhe tem sido confeccionar artigos de inverno com matérias-primas de meia-estação, que são mais leves e mais baratas, explica o presidente da Abravest.





