Confeccionistas buscam alternativas para crise
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segunda-feira, 18 de junho de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O setor de confecções sofre as consequências da queda do dólar e da concorrência com os produtos chineses que entram no País com preços mais baixos que os produtos nacionais. A crise que as indústrias enfrentam já levou à demissão de 100 mil funcionários no Brasil só no ano passado, fechamento de fábricas e a redução drástica das exportações.
O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Londrina (Sivepar) que também é proprietário de uma fábrica de camisas, Marcos Tadeu Koslovski, disse que os produtos da China estão crescendo em qualidade mas eles (os chineses) ainda não conseguem criar, só reproduzir. O problema é que as roupas da China são até 50% mais baratas para o consumidor final.
Um dos motivos que leva o produto chinês a ter custo menor que o nacional é a mão-de-obra barata, ao contrário do Brasil onde um funcionário custa 126% a mais do que o salário que ele recebe, em função dos encargos trabalhistas.
As saídas que os empresários do setor estão buscando para driblar a crise são agregar valor aos produtos, investir cada vez mais em qualificação profissional, reduzir custos e estoques.
Em Londrina e região, onde há 495 indústrias que geram 14 mil empregos, os fabricantes estão organizando um Arranjo Produtivo Local (APL) que será lançado no próximo dia 28 de junho. A implantação do APL levou um ano e meio. ''Os empresários do setor precisam ter espírito cooperativo, focar no seu produto para que seja diferenciado e buscar novos nichos. O consumidor quer roupa de boa qualidade com bom caimento e não apenas preço'', disse.
''O prejuízo é muito grande para o setor. Não tem como concorrer com produto importado da China, da Coréia do Sul e da Índia'', afirmou o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Cianorte, Wilson Becker. Ele disse que, na China, muitos trabalhadores recebem US$ 30 de salário por mês. No Brasil, o piso para a linha de produção é de R$ 700 a R$ 800. Ele contou ainda que Cianorte exportava cerca de 7% da produção mas, com a queda do dólar, as vendas para o mercado externo praticamente zeraram.
Becker acredita que uma das soluções para enfrentar a crise é abrir o setor cada vez mais para o mercado interno e tentar reduzir custos. ''Tivemos demissões e fechamento de pequenas indústrias na região'', contou. Em Cianorte, os estoques também foram reduzidos em relação ao inverno do ano passado devido a invasão dos produtos importados e às incertezas do clima. A região de Cianorte conta com 450 empresas no setor e gera 10 mil empregos.
Neste ano, as roupas de outono/inverno estão até 6% mais caras para o consumidor final em função de repasse de custos. Becker disse que, em 2007, a coleção de inverno entrou bem no varejo, parou com a alta das temperaturas no início de maio e voltou a vender com a queda dos termômetros nas últimas semanas.


