Em Londrina há uma oferta diária de cerca de 30 vagas para quem deseja trabalhar em confecções. Porém, o principal obstáculo do setor é encontrar mão-de-obra qualificada. Em sintonia com essa necessidade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sindicato do Vestuário do Paraná (Sivepar) inauguram hoje a Área de Confecção Senai (Escola de Costura), que irá oferecer cursos de Modelagem Industrial Básica, curso Básico de Operador de Máquina Industrial Reta e Aprendizagem em Confecção Industrial. Logo após a inauguração haverá um workshop sobre a moda do próximo verão (leia reportagem abaixo).
Entre empresários não há dúvida de que a qualificação profissional é uma peça importante para o crescimento de trabalhadores e empresas. ''A qualificação no setor têxtil pode render resultados diretos na produtividade'', avalia o presidente do Sivepar, Marcus Tadeu Kosloviski. Segundo ele, o Paraná é o segundo pólo de confecção do Brasil e o estado que mais cresceu em exportações em 2004. Em relação a 2003, diz, as exportações cresceram 350%.
''Há uma necessidade em todo o Estado de qualificarmos a mão-de-obra. Só na região de Londrina, que compreende de Rolândia a Jacarezinho, são mais de 400 fábricas que empregam 12 mil funcionários'', informa Kosloviski. Dessas fábricas, 180 estão em Londrina.
Para o gerente do Senai-Londrina, Alexandre Lourenço Ferreira, faltava na cidade um centro de formação profissional na área. Para ele, o lançamento da área de confecção vem com um diferencial, que é o diálogo com entidades como o Sebrae/PR e Sivepar e, principalmente, com os empresários. De acordo com Ferreira, o objetivo é implantar um curso técnico pós-médio na área de confecção em 2006.
De 80 para cá, a demanda no setor contribuiu para as facções (trabalho das constureiras feito em casa para as fábricas). Porém, os empresários viram com o tempo que a qualidade caiu. ''A facção não tem controle de qualidade. Hoje, está se tentando resgatar essa mão-de-obra para dentro da fábrica'', explica o gerente da Agência do Trabalhador (Sine), Mauro Viecili. Para ele, esse retorno às fábricas só vai acontecer com melhora salarial e cursos de qualificação. ''O setor está sentindo a necessidade de acabar com as facções. O pessoal tem que entender que precisa de marca própria'', complementa Kosloviski.
O piso salarial de uma costureira registrada em carteira numa empresa de confecção atualmente varia entre R$ 340 a R$ 480. Trabalhando em casa, as costureiras não têm vínculo empregatício. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário de Londrina e Região, José Ricardo Leite, salienta que trabalhar desta forma é uma ilusão. ''Os empresários mandam as máquinas para a casa dessas costureiras, mas elas acabam tendo um gasto grande com energia elétrica. Se der defeito na roupa, elas também não recebem. Nessa informalidade, é muito difícil obter garantias trabalhistas'', destaca Leite.

Serviço:
O curso de modelagem industrial básica terá 120 horas e custa R$ 400. São três turmas este ano. A primeira de 11/4 a 22/6; a segunda de 27/6 a 2/9 e a terceira de 5/9 a 23/11. O curso básico de operador de máquina industrial reta tem 64 horas e custa R$ 220, nas seguintes datas: 12/4 a 9/6; 14/6 a 11/8; 16/8 a 6/10 e 18/10 a 15/12. Aprendizagem em confecção industrial terá 800 horas, é gratuito e dura um ano. Vai ocorrer entre 18/7/05 a 2/7/06. As vagas são limitadas. O Senai fica na Rua Belém, 844.

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