Confecção é empregadora, diz consultor
Agência O Globo
Do Rio
O crescimento da participação do Brasil no comércio mundial de produtos têxteis pode se dar pelo investimento na indústria de confecções. A sugestão foi feita ontem por Raoul Verret, vice-presidente da Werner International, empresa americana de consultoria. Ao contrário dos setores de fiação e tecelagem, que demandam investimentos cada vez mais pesados, o ramo de confecções é mais intensivo em mão-de-obra do que capital.
Com a mesma quantidade de dinheiro que se usa para criar um emprego na produção de fibras e tecidos, podem ser criados 20 no ramo de confecções, diz Verret, que está participando da 2ª Conferência Internacional Têxtil/Confecção, promovida pelo Senai/Cetiqt.
A liberação do comércio em todo o mundo fez com que as exportações de produtos têxteis tenham disparado. Dados da Organização Mundial do Comércio mostram que as vendas externas subiram de US$ 55 bilhões para US$ 155 bilhões entre 1980 e 1997. O Brasil também registrou aumento.
As exportações passaram de US$ 654 milhões para US$ 1 bilhão no mesmo período. Mas a participação proporcional do País caiu de 1,2% do mercado total para 0,7%. A mesma situação se repete no mercado exportador de confecções, no qual o Brasil perdeu participação, descendo de 0,3% para 0,1% entre 1980 e 1997.
Ele não sugere, porém, que o Brasil abandone a indústria nacional e passe a ser importador de tecidos e exportador de roupas. O mercado interno brasileiro é muito grande. Se o consumo per capita dos brasileiros aumentar dos atuais 7 quilos para 8 quilos por ano, haverá a necessidade de produzir mais 150 mil toneladas anuais de tecido, afirma o consultor.
Segundo ele, o Brasil tem todas condições para aumentar sua produção: produz algodão, petróleo (matéria-prima para as fibras sintéticas) e tem uma população crescente.





