Confecção é 'campeã' de empregos
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2001
Agência Estado<bR>São Paulo 
Conforme o trabalho, um aumento de R$ 10 milhões nas vendas desse setor gera 1.080 empregos diretos adicionais, 168 indiretos e outros 327 devido ao denominado ''efeito-renda'', ou seja, atividades criadas em outros setores por causa da renda adicional daquele segmento. A segunda posição é do de setor de agropecuária, com 1.193 empregos, seguida por 1.153 vagas criadas pelo setor de ''serviços prestados à família''.
Segundo Sheila o trabalho resulta do cruzamento de dados de quatro pesquisas básicas geradas pelo IBGE, como a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), Contas Nacionais e a Matriz Insumo-Produto. Os economistas utilizam diferentes variáveis dessas pesquisas para estimar o número de novas vagas no mercado de trabalho, conforme o aumento das vendas. O trabalho é indicativo e serve como referência para avaliar o impacto do emprego no país, conforme as alterações setoriais.
A economista do BNDES fez questão de observar que o fato de alguns setores gerarem mais empregos não implica, necessariamente, que a solução do desemprego no país passe pelo incentivo a esses segmentos. ''Se você ampliar em excesso a oferta de confecções, o mercado não vai absorver as mercadorias e as empresas do setor vão quebrar'', ilustrou. A menos, é claro, que se consiga exportar toda a produção adicional.
O setor de construção civil, apresentado tradicionalmente como forte gerador de emprego, ocupa uma posição modesta no ranking do BNDES, situado-se na 20 posição. A cada aumento de R$ 10 milhões nas vendas, o setor cria 179 empregos diretos, 98 indiretos e 349 por efeito renda, totalizando 626, o que é cerca de metade do gerado pela agropecuária. De uma forma geral, os segmentos mais ligados aos setores primários da economia são os que geram mais emprego, além do comércio (sexta posição). Assim é que a indústria de móveis e mobiliário ocupa a quarta posição no ranking do BNDES, seguindo-se a indústria de café, abate de animais, beneficiamento de óleos vegetais e a indústria de laticínios.
No outro extremo, entre os que menos geram emprego, estão os vinculados ao refino de petróleo, serviços industriais de utilidade pública (fornecimento de energia elétrica e captação de água), além da fabricação de eletroeletrônicos e aluguel de imóveis. Também a fabricação de automóveis e equipamentos de comunicações geram poucos empregos.


