Confecção é alicerce da economia
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A HKM Indústria e Comércio, na Avenida Rio Branco (Zona Oeste), é uma das 1.898 empresas criadas em Londrina no período de 1997 a 2002. A empresa confeciona uma média mensal de 45 mil peças (calças jeans) para outras marcas e pretende, futuramente, voltar a ter marca própria. Quando iniciou as atividades, no final de 2001, a HKM tinha 50 funcionários e algumas máquinas de costuras. De lá para cá, novos equipamentos foram adquiridos e o quadro de funcionários aumentou para 289, embora a produção da marca própria tenha sido desativada.
''Precisamos de uma marca própria por ser mais rentável. Paramos momentaneamente de fabricar nossa marca, mas pretendemos retomar'', explicou o gerente administrativo financeiro, Eduardo Lopes. Até o final do ano, a HKM tem novos planos de expansão. Quer elevar a produção para 60 mil peças mensais.
A trajetória da HKM serve para ilustrar a pesquisa coordenada pela professora Maria Eduvirge Marandola, do Curso de Economia do Centro Universitário Filadélfia (Unifil). Ela analisou a evolução de empresas e emprego em Londrina entre 1997 e 2002 em termos de ramo de atividade, porte e impacto no emprego. Os resultados mostraram que uma quantidade de empresas é criada e fechada a cada ano, com taxas de natalidade e mortalidade para as de menor porte.
A criação das empresas londrinenses no período analisado trouxe um impacto de 17.497 postos de trabalho, o que representa 3.500 empregos em média a cada ano. Elas abrangem os mais variados ramos de atividade: indústrias extrativas e de transformação, construção, comércio atacadista e varejista, alojamento e alimentação, transporte, armazenagem e comunicação, atividades imobiliárias, administração pública, saúde, ensino entre outras atividades de serviços coletivos.
A pesquisa confirma, entretanto, que o alicerce da economia local é o comércio atacadista e varejista, que é o maior empregador e com maior número de estabelecimentos. De 97 para 2002, o número dos estabelecimentos atacadistas e varejistas cresceram de 3.111 para 4.026, representando um aumento de 29%. Nesse período, os postos de trabalho saltaram de 18.404 para 23.683. Só para ter idéia, Londrina é responsável, atualmente, por 25% da produção total do Paraná, considerado o 2º pólo confeccionista brasileiro, com 150 milhões de peças/ano. Na região existem 400 indústrias de confecção - na sua maioria micro e pequenas empresas - que empregam uma média 12 mil trabalhadores.
De acordo com a pesquisa, as microempresas pesquisadas representam 92,46% do total e, no período em estudo, foram responsáveis pelo aumento de 1.757 estabelecimentos com impacto de 7.022 novos postos de trabalho. No entanto, houve redução de empresas na construção civil e administração pública, defesa e seguridade. Ocorreu impacto negativo no emprego, na produção e distribuição de eletricidade, gás e água. ''Conclui-se que políticas públicas que reduzam a mortalidade nas unidades de menor porte podem ser favoráveis à criação e manutenção do emprego'', diz a professora Maria Marandola.
A pesquisa também revelou que Londrina perdeu empresas de grande porte no período, principalmente no ano de 98. Em 97, a cidade tinha 23 grandes empresas - acima de 500 empregados - e um ano depois estava com apenas 17. Isso representa 23%. ''No ano seguinte, a cidade ganhou mais duas grandes empresas e em 2002 estava com 18 empresas. em contrapartida, as micro tiveram resultado positivo em todos os anos pesquisados'', explica a pesquisadora.


