Há dois anos, os proprietários da fábrica de camisas masculinas Dejor, de Cambé, decidiram investir em uma atividade que assusta pequenos e médios empresários brasileiros: a exportação. Graças à iniciativa, as camisas produzidas pela empresa podem ser compradas através de um catálogo que circula em várias cidades dos Estados Unidos. Para obter sucesso, porém, foi preciso vencer dificuldades como a burocracia e a adequação da roupa brasileira ao tamanho dos americanos.
''O processo é demorado e desgastante'', avaliou Marco Antônio Portero, chefe de escritório da camisaria. ''Tivemos que desenvolver um produto específico para os Estados Unidos, adaptando nossos tamanhos à medida em polegadas, que eles utilizam'', contou. Além disso, o exportador deve ser rigoroso no cumprimento dos prazos e no padrão da mercadoria exportada. ''No nosso caso, não pode haver variação nas cores'', explicou Portero.
Apesar das dificuldades, a iniciativa rendeu um bom lucro à fábrica. A camisaria faturou U$ 100 mil, no período, com a venda de três lotes de camisas que totalizaram 8 mil peças. ''Se tudo der certo, no início do ano que vem exportaremos um lote com 39 mil peças'', revelou, acrescentando que a Dejor produz 45 mil camisas por mês. Cada camisa é vendida pelo preço médio de U$10.
Para facilitar o acesso ao mercado externo, Portero aconselha os pequenos empresários a buscarem orientação em instituições especializadas, como o Banco do Brasil e o Sebrae. Outra dica é não se assustar com os custos da operação, que incluem o frete e o pagamento de taxas. ''O investimento é alto, mas o negócio compensa'', disse.
As camisas Dejor são vendidas nos Estados Unidos por um representante que conheceu a mercadoria em uma feira do setor em São Paulo. ''É ele que divulga as camisas.'' Visando o mercado latino-americano, os proprietários da camisaria estão em contato com um representante que trabalha no Chile.
As proprietárias da fábrica de roupas esportivas Mulher Elástica, de Londrina, ainda tentam vencer a burocracia para levar seus produtos ao mercado americano. ''Se não fosse a burocracia, já teríamos mandado uma remessa de roupas que teria sido vendida facilmente'', contou Maria Aparecida Krzyzanowski, que junto com a filha Tatiana administra a empresa.
Segundo ela, a idéia de exportar surgiu quando sua outra filha, que mora nos Estados Unidos, despertou a atenção de mulheres americanas ao vestir as peças fabricadas pela família. ''As roupas esportivas americanas são muito básicas, com pouca variação de cores. Nossas peças são mais femininas'', comentou Tatiana.
Elas sabem que o mercado tem potencial, possuem uma representante que mora nos Estados Unidos mas ainda não conseguiram vencer a burocracia para mandar a primeira remessa. A principal dificuldade é enquadrar as roupas da marca na classificação americana, que só tem a opção ''agasalhos esportivos''. A nomenclatura não é adequada à coleção da Mulher Elástica, que fábirca tops, leggings e modelos ajustados ao corpo. ''Não podemos mandar as peças sem ter certeza que o importador saberá que tipo de roupa é'', questionaram.

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