Conexão Miami (Ednelson Alves)
Num curto período de tempo os bancos estrangeiros de investimentos chegaram no Brasil com um enorme apetite de fazer bons negócios, aproveitando principalmente as oportunidades abertas com o processo de privatização. Como a competição se tornou acirrada demais, nem todos estão dispostos a continuar nesse jogo. Ontem o Financial Times divulgou que os bancos estrangeiros prevêem cortes de investimento no Brasil. O problema maior, conforme executivos de bancos ouvidos pelo jornal inglês, é de que a concorrência entre os bancos fez despencar o valor dos honorários cobrados. O recorde de baixa levou algumas grandes instituições de crédito a bancar o prejuízo no curto prazo em troca de oportunidades de construção de marca para o futuro. Exemplo da Telebrás
O caso mais recente dessa disputa foi o 0,07% do valor das ações emitidas cobrado pelo Morgan Stanley e Salomon Brothers como honorário para assessorar o governo brasileiro na privatização da Telebrás. O valor considerado incomumente baixo reflete a acirrada briga entre os bancos de investimentos para vencer contratos de assessoria à privatização no Brasil. O limite máximo estabelecido pelo governo brasileiro era de 0,25%, mas os bancos vencedores ofereceram o trabalho por apenas 0,07%. O raciocínio no meio bancário é o de que quem está cobrando um valor tão irrisório, na prática, está pagando para se estabelecer no mercado. Saindo do jogo
Algumas divisões de investimentos de bancos estrangeiros, como a do ING Barings, já admitiu que vai se retirar do setor de pesquisa, venda e corretagem de ações na América Latina. Referindo-se ao que está ocorrendo no Brasil, conforme divulgou o jornal inglês, o diretor da Merril Lynch afirmou que é mais do que agressão, é loucura. Cremos que é uma situação irracional. Já Winston Fritsch, presidente do Dresdner Kleinwort Benson, afirma que o setor de banco de investimentos está passando por um período de desequilíbrio no Brasil. E como chegar ao equilíbrio? Primeiro, quando acontecerem algumas falências. Algumas pessoas caíram fora do mercado, prevê.Desemprego X euro
Um estudo da Associação para a União Européia (Amue), uma organização de industriais e banqueiros, com sede em Paris, que visa promover a moeda única, aponta que o desemprego é hoje a maior ameaça aos planos de unificação na Europa. A análise do levantamento que acaba de ser divulgado revela o seguinte: Existe uma clara ligação entre a estabilidade social e a estabilidade de uma moeda. Os conflitos políticos poderão paralisar o funcionamento das instituições comunitárias e da união européia.Locomotiva ameaçada
Conforme o estudo da Associação para a União Européia a maior ameaça vem justamente dos dois países que mais lutam para a criação da moeda única: Alemanha e França. Conhecida como a locomotiva da Europa, a Alemanha tem hoje o número recorde de 4,85 milhões de desempregados. O temor é maior porque não há nenhuma garantia de que o número de desempregados diminuirá num curto período de tempo. Na França, governo, entidades empresarias e os sindicatos estão numa batalha aberta para diminuir o impacto social do desemprego. Mas há previsões de que aumentará o acirramento dessa disputa. É evidente que todo choque social acarretará prejuízo à união monetária, pois os ajustes internos que os países estão fazendo para atingir as exigências externas são muito grandes. E alguém está pagando essa conta.
Arquivo FolhaBill Gates: tapete vermelhoFrança & Microsoft
Nos Estados Unidos, a prática agressiva de fabricação e comercialização dos produtos da Microsoft tem dado muita dor de cabeça a Bill Gates, co-fundador e presidente da companhia de software. Por isso, causou grande surpresa a pública aproximação do governo francês da Microsoft, inclusive falando em parceria e alianças estratégicas, ignorando empresas francesas e européias de alta tecnologia. O governo tem a intenção de colaborar com os melhores do mundo, a começar pela Microsoft. Temos algumas coisas a fazer com essa empresa na área de pesquisa, financiamento, capital de risco e Internet na escola. Tudo isso foi dito pelo ministro da Economia Dominique Strauss-Kahn. A questão que começa a ser questionada é que, sendo recebido com tapete vermelho a cada visita que faz a Paris, Bill Gates continuará ignorando a concorrência. Sobre os problemas que enfrenta nos EUA, Gates diz que a Justiça americana não estaria entendendo como funciona a nossa indústria. Insucesso na China
Quando desembarcaram na China, as empresas da Europa planejavam negócios bilionários com altos lucros. Mas um estudo publicado pela Fiducia, empresa de consultoria instalada na China, revela que o retorno dos investimentos está longe do esperado. Cerca de 61% das 96 empresas européias pesquisadas afirmam que superestimaram o potencial do mercado chinês. Na atual conjuntura, conforme o estudo, a melhor alternativa é reavaliar os investimentos para que seja promovida uma reestruturação, antes de entrar numa nova fase de investimento, depois do ano 2000. Em 97, o investimento estrangeiro na China atingiu US$ 45,2 bilhões, 8,5% a mais do que no ano anterior. Mas as previsões para este ano apontam para uma possível queda no investimento estrangeiro. Esse seria o reflexo de que o capital externo está deixando de enxergar apenas o potencial de consumo da China, mas agora passou a conhecer as dificuldades de manutenção de um negócio lá.





