Conexão Miami (Ednelson Alves -Correspondente nos EUA)


Flórida-Brasil
Acaba de ser divulgado o relatório dos principais parceiros comerciais da Flórida, feito pela Enterprise Flórida, uma empresa de associação pública-privada. Nos primeiros meses de 97, o comércio exterior cresceu 14% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando US$ 46,5 bilhões. O Brasil, a exemplo de anos anteriores, continua sendo o parceiro número 1 da Flórida, com um intercâmbio total até setembro de US$ 5,6 bilhões. Na sequência aparecem: Venezuela, US$ 3,380 bilhões; República Dominicana, US$ 3 bilhões; Colômbia, US$ 2,9 bilhões; Argentina, US$ 2,1 bilhões; Honduras, US$ 2 bilhões; Costa Rica, US$ 1,790 bilhão; e Guatemala, US$ 1,4 bilhão. Fora da América Latina aparece o Japão, com US$ 2,7 bilhões, sendo o quinto mais importante parceiro comercial da Flórida. Entre os 10 maiores, há somente um país europeu, a Alemanha, com negócios de US$ 1,4 bilhão nesses nove meses.Influência brasileira
Grande parte das importações do Brasil na Flórida, não há dúvida, é feita pelas centenas de brasileiros que estão estabelecidos como comerciantes em Miami, tanto no centro da cidade como na região do aeroporto, onde estão os grandes depósitos de mercadorias. Não há uma pesquisa sobre o número de pequenos, médios e grandes exportadores brasileiros em Miami, mas os mais antigos afirmam que passam de 5 mil. A maioria trabalha com a venda de computadores e equipamentos de informática, telefones celulares e de eletrônicos em geral. Depois do espanhol, o português é a língua mais falada no centro da cidade. Um exemplo desse potencial brasileiro é a Compubrás. Instalada há 10 anos na cidade, a empresa já ganhou o prêmio de maior vendedora de produtos de informática da região sudeste dos Estados Unidos. Quando o governo lança um pacote ou adota qualquer outra medida, o efeito nos negócios brasileiros de Miami é imediato. O mesmo ocorre quando há um feriado prolongado no Brasil. Os comerciantes chegam a contratar mão-de-obra temporária para atender à demanda. O lado negativo do comércio Flórida-Brasil é que esse intercâmbio tem apenas mão única: sempre a favor dos americanos.Comdex latina
Terminou ontem a segunda edição da Comdex em Miami. Mais de 20 mil pessoas participaram da feira que contou com 350 empresas expositoras. Mas o detalhe desse evento, em relação a outros maiores e similares que acontecem nos Estados Unidos, é que ele é exclusivamente voltado para a América Latina, uma das regiões que mais crescem no setor de informática. Toda propaganda é feita em espanhol e este ano já foi possível encontrar muito material em português. É a oportunidade do comerciante encontrar os expositores e também de comparar modelos, lançamentos e, principalmente, os preços dos produtos. Tudo isso tendo a facilidade do idioma. Para o próximo ano, os organizadores da Comdex de Miami vão mudar a feira para setembro. Como o pico de venda de qualquer negócio é dezembro e o público alvo são comerciantes da América Latina, Bob Bierman, porta-voz da ZD-Comdex, considera que a mudança trará um êxito ainda maior para a feira.Gates questiona
O juiz Thormas Penfield Jackson determinou que a Microsoft não poderá obrigar os fabricantes de computadores que utilizam seus sistemas operacionais a adotar seu programa de navegação na Internet, o Explorer. Isso significa que, até uma nova ordem da corte americana, a Microsoft terá que abandonar sua política de autorizar o uso de qualquer um de seus sistemas operacionais, incluindo o Windows 95. O todo-poderoso presidente da Microsoft, Bill Gates, comentou, diante de estudantes da Universidade de Tsinghua, em Pequim, que a liderança de sua companhia se baseia na superioridade técnica e não na concorrência desleal. Para Gates, a tendência é ocorrer uma concorrência maior com a Netscape. ‘‘Isso vai continuar. Eles vão ter uma nova versão, nós fabricaremos a nossa, e é essa competição que esperamos assistir no mercado de softwares’’.Jornada à francesa
O governo da França aprovou um anteprojeto de lei que introduz a jornada semanal de trabalho de 35 horas, a partir do ano 2000, para todas as empresas privadas com mais de 20 funcionários. As empresas que adotarem a nova jornada, já em 98, receberão descontos nos impostos de US$ 1.510 por funcionário no primeiro ano se reduzirem sua jornada de trabalho em 10% e aumentarem seu número de funcionários em 6%. Os incentivos serão maiores quanto maior for o corte da jornada. A lei não especifica nada sobre o direito do empregador reduzir o salário em troca da redução da jornada e da contratação de mais empregados. O Patronat, federação dos empregadores franceses, alega que os custos das empresas podem subir em até 11% no ano 2000. Um detalhe importante: o governo que está criando a nova lei não inclui na redução de jornada os funcionários públicos ‘‘porque o Estado não tem condições de arcar com a contratação de novos funcionários’’. Esse anteprojeto que muda a lei trabalhista na França provocou discussão imediata nos demais países da Comunidade Européia. Com tudo isso, há a tendência de grandes mudanças na relação capital-trabalho ainda antes da virada do milênio.Código de privacidade
O código para garantir a privacidade de dados pessoais no ciberespaço, que está sendo criado pelas principais firmas de computadores, terá um grande efeito no aumento das vendas e dos negócios on line. Tim Berbers-Lee, o inventor da Wwb, chefia um laboratório de pesquisa no Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT) que busca criar uma espécie de ‘‘assinaturas digitais’’ sofisticadas e outros dispositivos para autenticar o tráfego na Internet. A previsão é de que o comércio eletrônico chegue a US$ 300 bilhões em 2002. Com o código de controle de privacidade no ciberespaço, o uso do cartão de crédito e outras ferramentas de transações poderão dar ao comércio on line um boom tão grande que surpreenderá as previsões mais otimistas.Combate ao crime
Antes que o código de privacidade seja adotado, a secretária de Justiça americana, Janet Reno, anunciou que os Estados Unidos fecharam um acordo com as principais autoridades judiciárias dos países mais industrializados do mundo para acelerar os esforços a fim de combater o crime na Internet. O tratado internacional permitirá que policiais especializados em computadores fiquem 24 horas à disposição para ajudar nas investigações internacionais de crimes na rede mundial de computadores, incluindo aí fraude e lavagem de dinheiro. Também os países do chamado G-8 concordaram em formar unidades especiais para rastrear o crime e os criminosos na Internet, independentemente da origem nacional. Para Reno, os computadores e as redes estão abrindo uma nova fronteira do crime.

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