Conexão Miami (Ednelson Alves - Correspondente nos EUA)
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Recorde em Wall Street
Neste ano, Wall Street tem negociado um média diária de 520 milhões de ações. Mas na terça-feira da semana passada aconteceu a maior loucura, em termos de movimento, na Bolsa de Valores de Nova York. Foram negociadas 1,2 bilhão de ações. Só para comparar: o recorde anterior era de 750 milhões de ações. O maior movimento, na terça-feira, foi registrado pela manhã, às 10h20, quando foram processadas 270 transações por segundo. A primeira reação dos executivos de Wall Street, surpreendidos pelo gigantesco movimento, foi de acelerar os planos para aumentar a capacidade do sistema de computação. O executivo chefe da Bolsa de Valores de Nova York, Richard A. Grasso, declarou ao jornal The New York Times que, presumindo que atingiremos a média de um bilhão de ações por dia em três anos, e isso pode ser um pouco agressivo, precisamos ser capazes de processar cinco bilhões de ações. Loucura on line
Imagine a seguinte situação: num período de tumulto nas bolsas de todo o mundo, como na semana passada, milhares de investidores de olho nas oscilações do mercado e, simplesmente, sem poder confirmar a compra ou a venda de milhões de ações. Foi justamente isso que ocorreu em Wall Street no dia do recorde. O sistema de informação de negociações no Nasdaq parou depois de alcançar seu máximo de 999.999 negócios em um dia. A partir das 15h17, um horário nervoso em termos de fechamento de contratos, o Nasdaq deixou de enviar confirmações às corretoras dos negócios que tinha executado. Além desse problema, muitas corretoras também não tinham estrutura para receber o grande volume de informações. Para um negócio onde ganhos e perdas milionáris são registrados em segundos de oportunidades, horas sem informação representam uma angustiosa eternidade. Amansando o leão
Não há entre os norte-americanos um órgão tão temido como Internal Revenue Services ou Serviço da Receita Federal. O leão aqui é verdadeiramente bravo e destrói uma empresa ou mesmo uma pessoa física, caso sejam constatadas irregularidades nas declarações de renda ou em outras transações tributárias. Al Capone, o temido gangster de Chicago é quem o diga. Ele escapou de diversos crimes, mas não da Receita Federal. Entre os milhares de estrangeiros ilegais que montam pequenas empresas legais nos Estados Unidos, o pagamento do imposto e o controle contábil é sagrado. Ninguém quer cair nas malhas do famoso IRS, tido até como um órgão acima de qualquer suspeita e também com autonomia para realizar suas operações pente fino em qualquer instância. Por tudo o que faz, naturalmente o IRS não é nada popular. Pelo contrário, há uma grande insatisfação contra o órgão, principalmente porque os seus fiscais não dão a menor chance ao contribuiente. Muitas vezes nem detalhando os processos. Por conta disso, o deputado Bill Archer, republicano do Texas, apresentou um projeto na Câmara para que seja criado um conselho externo com ampla autoridade sobre a agência de arrecadação tributária. Archer argumenta que seu projeto atende ao pedido de muitos contribuintes que alegam estar sendo tratados injustamente pela Receita.Inversão de valores
A parte mais polêmica do projeto de lei é a que propõe que haja uma mudança radical quando há confronto entre a Receita e o contribuinte. Atualmente o IRS autua judicialmente e o contribuiente deve provar sua inocência. Se a lei for mudada, haverá uma inversão de valores e caberá a Receita apresentar as provas. Isso tem causado controvérsia, principalmente porque poderá facilitar e aumentar o número de fraudes. O conselho externo teria, conforme o projeto republicano, 11 membros, oito deles cidadãos privados a serem indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado. Os outros membros seriam o Secretário do Tesouro, o comissário do IRS e um delegado dos sindicatos que representam os funcionários da Receita. Clinton apóia
Temendo ficar isolado se continuasse se posicionando contra a mudança na Receita Federal, o presidente Bill Clinton, que é democrata, depois de algumas negociações, declarou que apóia o projeto republicano. Para receber o sim da Casa Branca, foi retirado do projeto o artigo que impedia que o presidente indicasse o comissário do IRS. O mesmo funcionário irá se reportar ao Secretário do Tesouro e não ao conselho. Nessa mesma linha, o conselho não terá poder de supervisão direto sobre as atividades legais da Receita. Com a negociação entre republicanos e democratas, é quase certa a aprovação do projeto no início do próximo ano. Será uma mudança histórica no fisco dos Estados Unidos. Finalmente, os políticos vão conseguir amansar o leão, e faturar muito, politicamente falando.Patrões na mira
A confederação de sindicatos norte-americanos AFL-CIO criou um site na Internet, especificamente para denunciar a diferença de ganho entre os altos executivos e os demais funcionários das empresas. Batizada de Executive Paywatch (patrulha dos salários dos executivos), a página é um banco de dados sobre os rendimentos de centenas de executivos de grandes companhias. Para exemplificar a diferença de tratamento entre as categorias de trabalho, o site também mostra que, entre 1995 e 1996, o aumento dos salários dos empregados foi de apenas 3%, inferior a inflação de 3,3% do período. Na lista dos patrões que se concederam grandes aumentos enquantos exigiam sacrifícios dos empregados estão: John Welch (General Eletric); Lawrence Bossidy (Allied Signals); Charles Lee (GTE); e Robert Allen (AT&T). Allem, após anunciar 40 mil demissões e confessar publicamente erros administrativos, recebeu um prêmio líquido de US$ 4,5 milhões e mais de US$10 milhões em opções. Mas, um dos executivos mais visados pelos sindicatos, pela fortuna que acumula a cada ano, é Michael Eisner, da Walt Disney Company. No ano passado ele ganhou US$ 8.653,520 em salários, gratificações e benefícios. Se acrescentadas as opções de compras de ações, que chegam a US$ 195.583.281, a renda total de Eisner em 96 totaliza US$ 204.236.801.





