Conexão Miami (Ednelson Alves - correspondente nos EUA)
NOVELA NA APPLE
Nos meios econômicos e financeiros dos Estados Unidos a pergunta mais comum das últimas semanas é essa: Quem assumirá a chefia da Apple Computer? São tantas incertezas que as especulações ganharam ingredientes típicos de novela. Por enquanto, Steve Jobs, fundador da
empresa em 85, mas que acabou expulso dela, voltou à cena como o poderoso chefão. Mas ele tem dito que não pode assumir a Apple, apesar da aposta que o mercado faz para sua volta, acreditando que ele poderá ser o único a devolver a competitividade perdida pela empresa. Mesmo tendo representado a companhia num importante encontro realizado na semana passada em Boston, Jobs diz que tem trabalhado para encontrar o executivo ideal para a Apple. George Fisher, executivo-chefe da Eastaman Kodak, é o nome mais esperado, mas ele ainda não se decidiu. Nomes de peso como Larry Ellison (principal executivo da Oracle), John Warnock (presidente da Adobe) e Daniel Case (banqueiro de investimento) estão cotados para integrar o conselho administrativo da Apple. O problema é que o novo chefe não pode falhar. O descrédito administrativo da empresa já é grande demais para sofrer um novo revés.GUERRA PELOS BRASILEIROS
Terminou no final de semana mais uma alta temporada para os comerciantes que se especializaram em atender os visitantes brasileiros que, como nos anos anteriores, voltaram a invadir a Flórida durante o mês de julho. A maioria desses comerciantes são brasileiros que se estabeleceram nos Estados Unidos. Eles vendem de tudo, mas principalmente eletrônicos, equipamentos de informática, relógios, tênis e roupas em geral. Mas a característica dessa última temporada foi a verdadeira guerra (ainda que não declarada publicamente) entre os comerciantes de Miami e os de Orlando pelo consumidor brasileiro. Tradicionalmente, os turistas passeavam em Orlando mas compravam em Miami. Para quebrar essa escrita, espalhou-se em Orlando o boato de que Miami anda muito insegura para compras. Já em Miami, os comerciantes brasileiros alegam que falta em Orlando variedade de produtos e melhores preços. Se em Miami o comércio brasileiro é tradição, é inegável o seu crescimento em Orlando com a abertura de dezenas de lojas, principalmente na Internacional Drive, um avenida comercial tomada por bandeiras brasileiras. A tendência dessa disputa comercial é crescer, afinal, está em jogo o filão de mais de 500 mil turistas que visitam a Flórida a cada ano loucos para comprar de tudo. A data da próxima batalha entre os comerciantes brasileiros de Orlando e Miami já está marcada: será em dezembro quando se espera uma nova invasão verde-amarela.CORRIDA ARMAMENTISTA
Há muito tempo que o pesado lobby da indústria bélica dos Estados Unidos pressionava a Casa Branca e o Congresso para rever a proibição de vender armas para a América Latina. O anúncio feito pelo Peru, recentemente, da compra de aviões MIG-29 no valor total de US$ 350 milhões, foi o trunfo que os empresários norte-americanos esperavam para reforçar seu poder de fogo na argumentação de que o embargo criado pelo presidente Jimmy Carter em 1978 deveria ser suspenso. Dito e feito. O presidente Bill Clinton liberou a venda de armas avançadas para a América Latina. Só o Chile pretende comprar 24 novos aviões de combate, num total aproximado de US$ 400 milhões. Para recuperar o tempo perdido diante da proibição, a indústria bélica americana vai jogar pesado sobre os países da América Latina para vender de tudo. Afinal, os ianques também são peritos na guerra comercial.TUDO PELA KIA
Ainda não se sabe o que ocorrerá com a Kia Motors Corp da Coréia do Sul, que passa por extrema dificuldade financeira. Seus débitos acumulados chegam a US$ 10 bilhões. Mas o que está chamando a atenção do mundo econômico não é apenas o vermelho que impera no balanço da companhia, mas o esforço conjunto que os mais diversos setores da sociedade da Coréia do Sul estão fazendo para salvar a Kia. Os funcionários prometeram abrir mão de seus bônus neste ano, o sindicato dos trabalhadores da Kia, considerado um dos mais militantes do país, prometeu não lutar por aumentos salariais e abriu uma conta bancária, que arrecadou US$ 56 milhões para ajudar a empresa. Quarenta associações comunitárias e de consumidores se juntaram para formar o Conselho Unido do Movimento Popular para Salvar o Kia Group. A recuperação da empresa está sendo tratada como uma questão de emergência nacional. Na semana passada, como resposta e apoio dos consumidores, foram comercializados em apenas 3 dias 47 mil carros Kia - 16 vezes o número normal de vendas nesse período. O detalhe é que até outros dois fabricantes de veículos da Coréia, a Hyundai Motor Co. e a Daewoo Motor Co. também entraram nesse esforço nacional para ajudar a concorrente. Especulou-se até que a gigante Samsung também poderia adquirir o Grupo Kia. Além do orgulho nacional coreano, toda essa mobilização nacional tem como objetivo salvar milhares de empregos, o que é plenamente justificável. TRISTE CONSOLO
O Brasil melhorou a sua posição entre os países mais corruptos do mundo. Agora é o 17º entre os 52 países relacionados no ranking da Transparency International (Transparência Internacional), organização não-governamental sediada em Berlim (Alemanha), especializada no combate à corrupção internacional. Este é o terceiro ano que o ranking é divulgado. A lista é preparada a partir de pesquisas feitas com analistas políticos, empresários e o público em geral em todo mundo. Entre os mais corruptos, a pesquisa apontou: Nigéria, Bolívia e Colômbia. Entre os menos corruptos, estão: Dinamarca, Finlândia e Suécia. Entre os sete países mais ricos do mundo, o Canadá foi o destaque positivo, com nota 9,10.





