Conexão Miami (Edinelson Alves, correspondente nos EUA)
35 horas, a nova
revolução francesa
Num momento em que empresários franceses fogem para a Inglaterra para diminuir a carga tributária, a aprovação da jornada de trabalho de 39 horas para 35 horas semanais é, no mínimo, um atitude corajosa, ainda que a lei só entrará em vigor no ano 2000. A previsão do governo francês é de que a diminuição da jornada reduza a taxa de desemprego no país, que é de 12,4% da população economicamente ativa. Será necessária a aprovação de um outro projeto de lei, no segundo semestre do próximo ano, para definir elementos essenciais como a forma de pagamento de horas extras, o horário de trabalho dos empregados e o número de horas trabalhada durante o ano. A questão é polêmica: para aprovar a semana de 35 horas foram necessárias 90 horas de debates. Insatisfeitos com o resultado final, a oposição direitista ameação levar o caso para um julgamento na corte constitucional francesa. Os especialistas afirmam que o protesto seria apenas formal, pois a mudança da lei é algo bastante improvável. Nem gregos nem troianos
Se a diminuição da jornada poderá minimizar, em parte, a questão do desemprego, isso ainda não parece totalmente certo, o fato concreto é que tanto as entidades patronais quanto as sindicais questionam a nova lei. A federação patronal francesa duvida que a diminuição da jornada irá aumentar o número de postos de trabalhos; já os sindicatos temem que o achatamento salarial será uma arma contra os trabalhadores. As empresas que optarem pela redução da jornada de trabalho antes de janeiro de 2000 receberão um incentivo de US$ 1,5 por funcionário em seus pagamentos de seguro social no primeiro ano de vigência do esquema. Um custo excessivo para o Estado pagar. Mas independente dos resultados, a aprovação da jornada de 35 horas, representa uma revolução na relação capital-trabalho.Promessa da Nike
Enquanto a França diminui a jornada de trabalho, a Nike, pressionada e criticada por explorar mão-de-obra infantil na Ásia, promete aumentar a idade de seus empregados e melhorar as condições de trabalho nas suas fábricas. A idade mínima para os funcionários de suas fábricas de calçados vai aumentar de 14 para 18 anos, enquanto a dos operários das fábricas têxteis vai passar de 14 para 16 anos. A multinacional de roupas e calçados esportivos emprega, por intermédio de sub-empreiteiros 350 mil pessoas em 150 fábricas do Sudeste Asiático. A GM, que há 4 anos investiu US$ 2 bilhões em uma fábrica de veículos utilitários na República Popular da China, também foi citado recentemente por pagar apenas 71 centavos por hora para os operários.Flórida cresce rápido
Seminário econômico realizado em Miami com a presença de técnicos do governo e da iniciativa privada constatou que a Flórida está tendo um crescimento surpreendente. Para o governador Lawton Chiles a questão é como manter o mesmo nível de desenvolvimento nos próximos anos. Além do poderoso setor de turismo (incluindo parques temáticos, resorts, praias e eventos do genero) e da importância da indústria cítrica, o comércio com a América Latina tem sido um dos pontos mais fortes do Estado. Por sua localização e pela facilidade de comunicação com o resto do continente, a Flórida tem sido uma espécie de entreposto internacional: exporta mercadorias produzidas em outras estados e também importa de outros países para enviar a outras regiões dos Estados Unidos.Transporte é falho
Entre os pontos críticos da economia da Flórida detectados pelos especialistas, a questão dos transportes é uma dos mais delicados. Um dos exemplos citados por Ray Goode, ex-presidente da Câmara de Comércio da Flórida é que, as mercadorias que chegam no aeroporto de Miami precisam ser levadas de caminhão a uma armazém, para depois serem transportadas de barco até a região do Caribe.‘‘Há que ser feita um integração para que se possa ganhar em agilidade e na diminuição dos custos’’, disse Goode. Tecnologia, maior preocupação
Mas há uma questão ainda mais grave: a baixa participação das empresas de tecnologia na economia do Estado. Só para comparar: no ano passado a Flórida contabilizou 8.500 empregos de alta tecnologia, porém a Califórnia e o Texas criaram cada nesse mesmo 55 mil empregos. Ainda que tenha uma concentração de empresas de ponta nas proximidades de Orlando e na chamada Costa Espacial, a Flórida ainda está muito longe de outros centros de tecnologia como Califórnia, Massachusets e Texas. Governo e iniciativa privada concordaram que são essas empresas que farão diferença entre um estado e outro.Mais vagas para estrangeiros
O Senado americano aprovou o projeto que eleva o número de vistos para que trabalhadores estrangeiros de alta qualificação no setor de computação possam vir para os Estados Unidos. Atualmente as empresas podem contratar até 65 mil funcionários especializados por ano. Com a nova lei, esse número subirá mais 30 mil esse ano, com um total de 115 mil para cada um dos seguintes quatro anos. A lei está sendo mudada graças a pressão e ao lobby das grandes empresas de tecnologia. Mão-de-obra polêmica
Os empresários alegam que há falta de mão-de-obra. Mas há uma contravérsia: dirigentes sindicais norte-americanos denunciam que a preferência da indústria por estrangeiros é porque o salário pago é menor e também porque o imigrante fica condicionado a trabalhar exclusivamente para a empresa que faz a contratação. Se o estrangeiro sair da empresa automaticamente perde seu visto de trabalho. Como esse visto pode ser renovado até por 6 anos, a indústria tem a certeza de que terá essa mão-de-obra disponível no mínimo por esse período.

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