Conexão Miami (Edinelson Alves, correspondente nos EUA)
Conexão MiamiEdinelson Alves Correspondente nos EUA
Comércio eletrônico: uma
nova disputa entre EUA e UE
A normatização do comércio eletrônico internacional abriu uma nova batalha entre os Estados Unidos e a União Européia. A Casa Branca conseguiu um aliado importante nessa disputa: o Japão. Americanos e japoneses concordaram quanto aos princípios básicos dos negócios online. O principal ponto é que a iniciativa privada deve comandar o funcionamento desse mercado. Os dois governos querem evitar a adoção de restrições aos comércio eletrônico para promover uma espécie de auto-regulamentação por parte dos usuários do setor privado. Isso significa não impor tarifas aduaneiras, mas ao mesmo tempo uma estreita cooperação para impedir a sonegação e evasão de impostos. Como convenceu o Japão a adotar sua política sobre Internet, os Estados Unidos também querem persuadir a Organização Mundial de Comércio (OMC) para evitar a regulamentação de tarifas. Europa quer regulamentação
A posição dos países europeus é frontalmente contrária a dos americanos. A União Européia quer a adoção de leis estatutárias e ainda pede a criação de agências de fiscalização para garantir a autenticação das transações eletrônicas. Isso só seria possível com regras de controle intergovernamental. Os europeus também querem uma regulamentação específica para garantir a proteção da privacidade de dados pessoais. As divergências entre Bruxelas e Washington são tão grandes que a União Européia ameaça proibir companhias européias de transmitir dados eletrônicos aos Estados Unidos. Mas o acordo que acaba de ser firmado entre americanos e japoneses deve diminuir o ímpeto das exigências européias, o que fortalecerá a posição da Casa Branca sobre o comércio eletrônico auto-regulamentado. Polêmica do Windows rende
Nunca um produto criou tanta polêmica nos Estados Unidos antes de seu lançamento como o Windows 98. Na última negociação a Microsoft concordou em adiar até segunda o lançamento do seu novo sistema operacional. Em contrapartida, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os Ministérios Públicos de 19 Estados também concordaram em adiar a apresentação de um processo conjunto contra a Microsoft. Se Bill Gates conseguir um acordo e vencer a barreira que impede a sua empresa de oferecer gratuitamente o seu navegador Internet Explorer a todos os compradores do sistema operacional Windows 95 e ainda do 98, aí sim a concorrência vai sentir o peso da Microsoft, pois é inigualável a publicidade gratuita em torno do produto por conta dessa grande polêmica. Só o princípio de acordo fez com que as ações da Microsoft subissem de US$ 86,94 para US$ 89,69 na quinta-feira. Ou seja, não será nenhuma surpresa se ao final dessa disputa Bill Gates ficar um pouco mais rico. Aumento nas vendas
As vendas da indústria automobilística nos Estados Unidos surpreenderam em abril, subindo 6,3% em relação a abril do ano passado, atingindo uma taxa anual com ajuste sazonal de 15,5 milhões de unidades. As vendas de varejo subiram 10,2% no mês passado, o maior ganho em vendas mensais em quatro anos. A taxa de desemprego caiu para 4,7%, o menor índice registrado em 28 anos.Superávit em alta
Para completar as boas notícias de abril, as arrecadações tributárias aumentaram repentinamente no final do mês, com grande parte do dinheiro originado aparentemente de ganhos de capital creditados ao forte mercado de ações do ano passado. Conforme estimativa do Gabinete de Orçamento do Congresso, o superávit poderá ser entre US$ 43 bilhões e US$ 63 bilhões em 98. A situação ficou estranha, pois depois de tantos anos tentando reduzir o déficit, ocorre agora uma discussão sobre o que fazer com o superávit. Entre os planos mais cotados estão: cortar impostos, poupar a Seguridade Social ou pagar outros programas.Preparando-se para ALCA
Há uma grande movimentação nos escritórios da Universidade de Miami, tudo por conta dos preparativos para sediar a Secretaria de Área de Livre Comércio das Américas. A primeira reunião será de uma missão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas o primeiro organismo a se instalar na sede da ALCA foi a Florida Partnership of the Americas. Essa empresa surgiu em 94, depois do primeiro encontro de cúpula em Miami. Ainda que as negociações para a área de livre comércio estejam indefinidas, as autoridades da Flórida esperam tirar o máximo de proveito para consolidar a posição de Miami como Capital das Américas. Em outras palavras isso significa vender a cidade como centro de negócios, de compras e também de turismo.Uruguai pede passagem
A importância do Brasil e da Argentina dentro do contexto do Mercosul praticamente sufoca qualquer iniciativa dos outros dois parceiros efetivos, Uruguai e Paraguai. Recentemente o governo paraguaio realizou um giro pela América Latina em busca de negócios. De passagem por Miami, o presidente Wasmosy disse que estava tentando se libertar do monopólio Brasil-Argentina. Agora foi a vez do Uruguai realizar uma divulgação massiva. De segunda a quarta-feira aconteceu em Miami a exposição Por que Uruguai? com a participação de 50 empresas e ministros do governo. Menos rancorosos, os uruguaios reconheceram a liderança dos vizinhos mais fortes do Mercosul, mas disseram que procuram mostrar o país como um importante centro financeiro, além de oferecer qualidade, não quantidade, para os investidores estrangeiros. O ministro das Finanças, Luis Mosca, disse que a programação de três dias em Miami mostrou que o país está procurando parceiros e deixando de lado a timidez. Que os mais de 900 mil turistas brasileiros que visitam os Estados Unidos sacodem as vendas em Miami e Orlando, é um dado conhecido por todos. O curioso é que diminui o fluxo de passageiros no Aeroporto Internacional de Miami e, quando questionados sobre o que teria provocado a queda no movimento, os responsáveis pelo aeroporto responderam sem nenhum receio: A recessão no Brasil. O número de passageiros diminui de 1.337.795 em março de 97 para 1.268.897 no mesmo mês deste ano. Mas o número de viajantes internos aumentou de 1.758.239, em março do ano passado, para 1.917.771 neste ano.Pepsi processa Coca
A empresa Pepsico Inc apresentou uma ação contra seu principal competidor, a Coca-Cola, por práticas monopolísticas. A acusação é de que a Coca vende seus produtos em alguns restaurantes e lanchonetes com a condição de que a Pepsi não seja comercializada nos mesmos estabelecimentos. Essa é apenas mais uma batalha na antiga guerra entre as duas grandes companhias.





