Conexão Miami (Edinelson Alves)
Conexão Miami Edinelson Alves
WALL STREET: AMARGO AGOSTO
Julho foi o melhor mês do ano para os negócios de Wall Street, mas em compensação, agosto representou o pior retrocesso mensal dos últimos sete anos para a bolsa de Nova Iorque. No encerramento do trabalho na sexta-feira, o clima geral era de que agosto já vai tarde. Justamente as ações de maior capitazação dos Estados Unidos apresentaram o pior desempenho, incluindo aí empresas como General Eletric, Merck, McDonalds, Gillette e Coca-Cola. As perdas chegaram em 10% ou mais. Para os especialistas, a coisa funcionou mais ou menos assim: julho foi o auge da especulação e agosto refletiu esse efeito contrário. Mesmo com a economia americana atravessando a sua melhor fase nos últimos anos, os olhos do país estão fixos nas cotações da bolsa como o termômetro nervoso que regula lucros e prejuízos de milhões de dólares. Para esquecer agosto, o final de semana nos Estados Unidos foi prolongado devido a comemoração, ontem, do feriado dedicado ao Labor Day. Fazendo de tudo para combater o implacável crescimento do desemprego que já passa de 12%, o governo francês começa a elaborar um plano para aprovar 35 horas semanais de trabalho. O governo quer criar mecanismos de incentivo para as empresas que vão aderir o projeto, diminuindo a carga social. Paralelamente ao desempenho da iniciativa privada, o governo quer criar 350 mil empregos, principalmente para jovens. Os críticos não perdoam essa alternativa, alegando que ela só contribuirá para aumentar o empreguismo no setor público. A idéia francesa não parece ser a melhor saída, justamente num momento em que os países estão fazendo ajustes para cumprir as metas mínimas estabelecidas pela União Européia. POLÊMICA NA ALEMANHA
Na Alemanha, por exemplo, há um verdadeiro choque: os patrões querem elevar a carga semanal enquanto os sindicatos exigem diminuição. Em muitas regiões da Alemanha a carga semanal negociada já é de 35 horas, porém, os empresários reclamam que estão perdendo competitividade internacional. Só para comparar: o número de horas de trabalho na França é, em média, 1645 horas anuais, menos 306 horas do que nos Estados Unidos. No Japão, Grã-Bretanha e Espanha o ano de trabalho também é maior do que na França. Mas as estatísticas de 96 mostram que os franceses trabalharam 100 horas a mais que os alemães, contrariando o mito de que os germânicos são os mais trabalhadores da Europa. Aconteceu na semana passada a maior fusão bancária dos Estados Unidos. O Nationsbank adquiriu o Barnett Banks por US$ 15,5 bilhões, criando assim o terceiro maior banco do país. O Barnett, que se proclamava o banco regional da Flórida onde tem ampla penetração no mercado, tem a sua sede em Jacksonville; já o Nationsbank tem a sua sede em Charlote, na Carolina do Norte. Para os analistas, apesar do alto valor da transação, o Nations fez um bom negócio porque o Barnett tem uma estrutura sólida e representa, como o próprio mercado da Flórida, grande perspectiva de expansão. Os acionistas do Barnett terão direito a US$ 75,18 por ação, 37% acima de seu valor de mercado. O setor de saúde também atraiu um grande negócio. A Cardinal Health comprou a Bergen Brunswig Corp. por US$ 2,41 bilhões em ações e ainda assumirá US$ 386 milhões em dívidas. O negócio criou a maior cadeia de atacadistas de medicamentos dos Estados Unidos, com 31% de participação num mercado anual de US$ 64 bilhões. Ainda no terreno das fusões, a Hicks, Muse, Tate & Furst, empresa especializada em aquisições, comprou a SFX Broadcasting por US$ 1,2 bilhão em dinheiro e ainda assumiu dívidas de US$ 920 milhões. Em tempos de glabalização, as fusões e mesmo parcerias têm sido frequentes.FUMO PERDE, DE NOVO
O governo da Flórida é um dos mais duros na guerra contra os males provocados pelo cigarro. Tanto lutou na Justiça que alcançou, na semana passada, um grande benefício: as grandes companhias de cigarros dos Estados Unidos concordaram em pagar US$ 11,3 bilhões num acordo extra-judicial para encerrar todos os processos relacionados ao fumo, abertos por representantes do governo da Flórida. Esse generoso acordo conseguido pela Flórida é independente do acerto nacional proposto pela indústria de cigarro que deverá pagar mais de US$ 300 bilhões para se ver livre das ações judiciais em todo país. Além de tudo isso, as maiores empresas de tabacos dos Estados Unidos estão sendo acusadas de facilitar a venda de cigarros para contrabando em outros países.SEM ECOLOGIA
A Toyota, maior fabricante de veículos do Japão, está entre as 66 grandes indústrias do país que é contrária ao projeto do governo de criar um imposto ecológico. A principal alegação da Toyota é de que o novo imposto vai prejudicar a sua competitividade no mercado mundial de veículos.





