Conexão Miami (Edinelson Alves - Correspondente nos EUA)
Conexão Miami (Edinelson Alves - Correspondente nos EUA)
Miami quer sediar ALCA
As negociações preparatórias para a criação da área de Livre Comércio das Américas (ALCA) estão sendo realizadas em São José, na Costa Rica. Inclusive na próxima semana, entre os dias 16 e 18, haverá uma nova rodada de negociações. Mas o governador Lawton Chiles, da Flórida, quer colocar Miami como sede oficial da ALCA. Há muito interesse: como anfitrião, os Estados Unidos terão maior peso nas negociações; nos meios de comunicação internacional cada encontro aqui terá grande repercussão; geograficamente, Miami é melhor localizada e oferece infra-estrutura bem superior a São José, a começar pelo transporte aéreo até telecomunicações; além disso a Flórida usará esses encontros para estreitar ainda mais seu intercâmbio comercial com a América Latina, e Miami se consolidará como uma porta de entrada para a região.Oferta na pauta
O interesse da Flórida é tão grande que o governador vai liderar uma comitiva de 70 pessoas para estar na próxima reunião em São José. Entre os pesos pesados estarão representantes da Disney, da Bell South Communications, do Nations Bank, da Florida International University, Florida Partnership of the Americas, Enterprise Florida, entre outras empresas e instituições. Lawton Chiles vai oferecer para sediar a Secretaria da ALCA os seguintes benefícios: mais de 1.000 metros quadrados para área de escritórios em Miami; tarifas reduzidas para serviços de tradução e alojamento em hotéis locais; ofertas para simplificar os trâmites aduaneiros e de imigração dos negociadores de cada país; e ainda o suporte de estudantes da Universidade de Miami que receberão créditos acadêmicos pela participação no projeto. Só mesmo uma espécie de boicote impedirá que Miami sedie ALCA. Recorde comercial
Todo esforço do governador Lawton Chiles comprova o interesse da Flórida pela América Latina. Não é para menos. A Flórida Enterprise acaba de divulgar que as importações e exportações das aduanas de Miami e Tampa com a América Latina alcançaram em 97 US$ 63,669 bilhões. Isso significa que a AL representa 71,02% de todos os negócios da Flórida. A área de Livre Comércio das Américas é vital para a economia do Estado. Por isso o governo e os empresários apostam todas as fichas na evolução das negociações da ALCA.Internet em foco
Impedido pelo Congresso de negociar integralmente a ALCA, o governo Bill Clinton procura explorar, nessas reuniões preliminares, temas de interesse dos Estados Unidos. A Casa Branca já adiantou ao Secretário de Comércio da Costa Rica, José Manuel Salazar, que quer discutir nessa nova rodada em São José como deverá ser explorada a Internet e principalmente as operações financeiras que estão sendo realizadas via eletrônica. A preocupação maior é criar uma lei entre os países para regulamentar a taxação das operações feitas pela Internet. Além da preocupação tributária os EUA também querem discutir a propriedade intelectual, uma forma de proteger os produtos e programas criados pela indústria americana de alta tecnologia. Japão & escândalo
Credibilidade no negócio é tudo. Escândalo após escândalo o Japão vai enterrando a imagem de um país que, até poucos anos, preenchia todos os requisitos em termos de produtividade, seriedade dos organismos institucionais e planejamento futuro. A fórmula, pelo menos em nível externo, vinha dando certo desde o final da Segunda Guerra. A nação que durante décadas espantou o ocidente com a velocidade do seu desenvolvimento agora está coberta de vergonha. Trinta executivos de financeiras e cinco bucrocratas do Ministério das Finanças e do Banco do Japão já foram presos e outros se suicidaram. Até o alto escalão do Banco do Japão (BGO) foi atingido, o que obrigou o presidente da instituição a colocar o cargo à disposição. Tudo isso está tendo um reflexo negativo na economia do país. Pacote em gestão
Em meio ao fogo cruzado, o Partido Liberal Democrata que governa o Japão quer criar um novo pacote econômico para injetar US$ 78 bilhões na economia. Se vier a ser lançado esse será o quinto pacote desde outubro. Por si só isso revela o desajuste da economia japonesa. O país vem sendo muito criticado por seus parceiros dos países ricos por dois motivos básicos: o primeiro, é porque os quatro pacotes não conseguiram estimular a economia; o segundo, é porque o Japão não está dando uma grande contribuição para diminuir o impacto da crise asiática. Pan Am, nova agonia
Um dos símbolos da pujança do capitalismo americano, quando voltou a voar depois de uma estrondosa falência, a Pan Am foi muito bem recebida. Era o ressurgimento de um símbolo do país que alçava vôo. Pouco mais de um ano de seu retorno, a companhia aérea está novamente agonizando financeiramente. Primeiro, havia um acordo para conseguir dinheiro junto ao financista Carl Icahn. Dias depois a negociação mudou de rumo e Icahn está tentando assumir o controle da Pan Am. Mas ainda não se sabe se a companhia volta a voar. Os 1.225 funcionários estão praticamente na rua. Só um milagre para salvar a empresa. Desemprego na UE
Com 20,2%, a Espanha apresenta o maior índice de desemprego entre os países que integram a União Européia. Luxemburgo é que apresentar a menor taxa de desemprego, 3,4%. Holanda, Itália e Grécia não apresentaram seus índices. Em termos de União Européia, a média de janeiro ficou em 10,4%. Em janeiro de 97 havia atingido 10,8%. Em alguns países, como Alemanha e França, o descontentamento com a falta de emprego é muito grande.Lobby do tabaco
Pagando altas multas pelos males provocados pelo cigarro e ainda estando ameaçada de duras leis para restringir a propaganda, as companhias de tabaco dos Estados Unidos fazem de tudo para manter influência entre os congressistas. Só no passado, o lobby do tabaco injetou US$ 4,5 milhões nos cofres de candidatos a cargos federais e de partidos políticos. Sem dúvida, um recorde, principalmente porque não houve eleição em 97. Mas segundo o levantamento da Campaign Study Group o total do lobby em todos os setores, só nos últimos dois anos, chega a US$ 58 milhões.
WorldCom & MCI
Acionistas da WorldCom e da MCI Communications aprovaram nessa semana o plano empresarial de fusão das duas empresas. Um negócio astronômico de US$ 37 bilhões.





