Conexão Miami (Edinelson Alves - Correspondente nos EUA)
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Ásia-Pacífico: crise na mesa
Nos quatro encontros anteriores de cúpula entre os países membros do acordo de cooperação econômica Ásia-Pacífico (APEC), a palavra crescimento sempre esteve na ordem do dia. Mas na reunião dos líderes dos Estados Unidos, Canadá, China, Japão, Austrália e 14 outros países e territórios do Pacífico, que acontecerá na segunda e terça-feira em Vancouver, no Canadá, a pauta agora mudou radicalmente: a palavra de ordem agora é ajustamento. Tudo por conta da crise nas bolsas asiáticas, que se estendeu pelo mundo. Fundada em 1989 para promover a liberalização do comércio e facilitar a circulação de mercadorias, serviços e pessoas, o encontro é o primeiro cara a cara depois da paranóia das bolsas. Os dois lados têm muito o que reivindicar: os asiáticos certamente vão pedir mais apoio financeiro dos Estados Unidos para os pequenos países, mas vão ouvir dos americanos que o déficit da balança comercial é amplamente favorável a eles, e que a situação está insuportável.Abertura na caixa-preta
Na quarta-feira foi encerrada em Manila, nas Filipinas, a reunião preparatória para o encontro de cúpula, com a participação de 12 vice-ministros da Ásia, dos Estados Unidos e Canadá. A principal decisão foi a seguinte: as economias asiáticas vão se abrir para um escrutínio de seus vizinhos e de instituições financeiras internacionais. Quem saiu fortalecido com essa decisão foi o Fundo Monetário Internacional, muito criticado nos últimos meses pela sua morosidade. É que no auge da crise, o Japão tentou criar um fundo independente do FMI para socorrer seus vizinhos. Mas os EUA não concordaram com essa estratégia, pois os países asiáticos iriam receber o apoio financeiro sem abrir suas economias para fiscalização internacional. A abertura para os organismos internacionais poderá permitir ao menos que se façam previsões mais realistas sobre a economia asiática, evitando assim novas surpresas desagradáveis.Déficit, o temor dos EUA
O déficit comercial dos Estados Unidos atingiu US$ 11,1 bilhões em setembro, um aumento de 17,1% em relação a agosto. As exportações caíram em 0,7%, totalizando US$ 78 bilhões, enquanto as importações subiram em 1,2%, atingindo US$ 89,1 bilhões, o recorde mensal deste ano. É gigantesco o déficit a favor dos países asiáticos. Só para comparar: com a China subiu para US$ 5,5 bilhões; com o Japão, US$ 5,1 bilhões; e com os chamados países recém-industrializados - Hong Kong, Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan - duplicou para US$ 2 bilhões entre agosto e setembro, provocado principalmente pela importação de computadores. Para o Secretário do Comércio, Wiliam Daley, os déficits em relação à China e Japão são problemáticos. Com os chineses, a política é a velha pressão para abertura de mercado para os produtos americanos; com os japoneses, além do enfraquecimento da economia local o problema se agravou com a debilidade do iene. O furo do déficit foi divulgado nesta semana, estrategicamente para facilitar as negociações do presidente Bill Clinton na segunda e terça-feira com os asiáticos.AL, paraíso americano
Não é por acaso que os Estados Unidos têm tanto interesse em fechar o chamado Acordo de Livre Comércio das Américas, pois a América Latina é a única região do mundo em que o intercâmbio comercial tem sido amplamente favorável aos americanos. O superávit deste ano já chega a US$ 5,255 bilhões, e só em setembro registrou mais US$ 713 milhões. Só para comparar, na área do Nafta, o déficit dos Estados Unidos no comércio com o México e Canadá, somente em setembro, chegou a US$ 2,616 bilhões; nesse mesmo período, com os países da Europa, o déficit totalizou US$ 1,913 milhão. Ou seja, só a América Latina continua sendo o paraíso para os negócios americanos.Bug do ano 2000
Não só os técnicos estão alertando sobre a séria ameaça de paralisação total dos computadores na virada do milênio, o chamado bug do ano 2000, mas os políticos também estão preocupados com o assunto. O Senado dos Estados Unidos estuda a adoção de uma lei específica, a qual pretende obrigar todas as companhias de capital aberto do país a revelar os seus progressos no combate aos potenciais riscos. O problema do ano 2000 é mais que um problema de computadores; é uma questão de negócios abrangente para a qual não existe solução rápida e suas consequências na economia podem provocar uma crise geral no país, argumenta Bob Bennett, presidente do subcomitê de Serviços Financeiros e Tecnologia do Senado. Recessão de um ano
Testemunhando no congresso americano, o economista chefe do banco de investimentos Deutsche Morgan Grenfell, Edward Yardeni, que passou seis meses colhendo informações sobre a possível paranóia dos computadores na virada do milênio, advertiu que há uma chance de 40% de que acontecerá uma recessão de 12 meses de duração, a partir de 1º de janeiro do ano 2000, de intensidade igual ao choque do petróleo dos anos 73 e 74. Se o fluxo de informação for perturbado ou interrompido, muitas atividades econômicas serão prejudicadas se não inteiramente suspensas, alertou. Natal dos vendedores
Com índice de desemprego de apenas 4,7%, os comerciantes dos Estados Unidos estão com dificuldades para contratar funcionários para ajudar nas vendas de fim de ano. Quem ganha com isso são os vendedores da alta temporada. Algumas empresas já estão oferecendo bônus para atrair mão-de-obra e os contratados da alta temporada ainda ganham descontos na compra de produtos de luxo. Ou seja, para eles o Natal chega bem antes de 25 de dezembro.Barbie engorda
A boneca Barbie, que há 38 anos é fabricada pela indústria de brinquedos Mattel, vai passar por uma mudança radical. Atingindo a meia idade, a famosa boneca terá uma redução dos seios e uma cintura mais grossa. Ou seja, estará se adaptando à idade. Mas como ainda é um objeto que desperta grande desejo de consumo nos Estados Unidos, a mudança no corpo provocou uma enorme discussão entre os admiradores e colecionadores de Barbie. Indiferente à polêmica, a Mattel só quer mesmo vender mais bonecas, seja do modelo antigo ou do novo.





