Conexão Miami (Edinelson Alves - Correspondente nos EUA)
Conexão Miami (Edinelson Alves -Correspondente nos EUA)
O império contra-ataca
Quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos determinou, no mês passado, que a Microsoft deveria pagar uma multa diária de US$ 1 milhão, caso continuasse forçando fabricantes de micros pessoais a incluir seus browser de Internet quando instalam o sistema operacional Windows 95, parecia não restar outra alternativa ao megaempresário Bill Gates senão se submeter à pressão do governo. Para surpresa geral, na terça-feira, William Neukom, vice-presidente sênior e advogado da Microsoft apresentou na corte, em Washington, um documento de 48 páginas, desafiando e contestando as ameaças de multa. O governo deveria estar encorajando a inovação em alta tecnologia, em vez de se intrometer no projeto de produtos. Clientes, o mercado e a Microsoft deveriam determinar o que nossos produtos contêm, e não o governo, criticou Neukon. Contradição do capitalismo
A batalha entre a Casa Branca (via Departamento de Justiça) e a Microsoft revela uma grande contradição do capitalismo, justamente nos Estados Unidos, a meca desse sistema. Tudo o que se ensina por aqui a empresas e empresários, e a retórica hoje é a mesma no chamado mundo globalizado, é a seguinte: Seja competitivo, corte gastos, enxugue sua empresa, lance novos produtos, invista no marketing, enfim, conquiste o mercado. Não entrando no mérito se isso é justo, em termos sociais ou não, é inegável que Bill Gates não chegou ao topo por acaso. Ele é um símbolo desse louco mundo competitivo da tecnologia e da comunicação e querer barrar o seu crescimento é o mesmo que dizer aos demais empresários: Cuidado, você pode ser prejudicado pelo seu sucesso. Como impedir uma empresa de lançar ou aperfeiçoar os seus produtos num regime de franca competição em que as novas descobertas ocorrem a cada minuto? Ao questionar o controle do governo, a Microsoft colocou o mérito da disputa em xeque. A decisão da corte é uma incógnita.Negócio do século
A MCI Communications, ao aceitar a oferta de US$ 36,5 bilhões da Worldcom, praticamente selou a maior fusão da história empresarial dos Estados Unidos. A MCI também recebeu outras ofertas bilionárias: US$ 28 bilhões da GTE e ainda US$ 19 bilhões da British Telecommunications, da Inglaterra. A disputa e os valores mostram a efervescência que toma conta do mercado de telecomunicações nos EUA, numa frenética fusão de companhias que detêm tecnologia em chamadas locais, longa distância e as que oferecem serviço à Internet. Mercado de 700 bi
Todas essas grandes fusões visam preparar as companhias para a disputa do cobiçado mercado mundial que já chega perto dos US$ 700 bilhões. A combinação da MCI com a Worldcom deverá render em vendas, no próximo ano, US$ 30 bilhões. Juntas, elas controlarão 25% do mercado de longa distância, mas serão a maior portadora do mundo em tráfego para
a Internet. Mesmo assim, ao menos por enquanto, elas não vão faturar como a líder americana de chamadas de longa distância, a AT&T, que apresentou no ano passado uma receita de US$ 52 bilhões. A AT&T, aliás, está se desfazendo de todos os seus negócios paralelos. A meta é fortalecer o caixa para depois sair às compras. A estratégia é dar uma resposta rápida à concorrência.Protesto contra Renaut
A fábrica francesa de veículo Renault, que já enfrentou problemas trabalhistas em outros países da Europa, também não atravessa uma fase de bom relacionamento com seus funcionários em Portugal. O maior problema é fábrica de câmbio localizada em Cacia, onde os trabalhadores fizeram uma greve de 30 horas, na semana passada, pedindo aumento de salários e a reposição de 180 postos de trabalho. A adesão do movimento atingiu outras unidades da montadora em Setubal e Lisboa. O maior temor dos trabalhadores de Cacia, porém, é quanto à ameaça que existe sobre o possível fechamento daquela unidade. Como não existem novos projetos para aquela unidade, os funcionários acreditam que não haverá como assegurar a continuidade da fábrica de Cacia nos próximos anos.Preço do ouro despenca
A crise financeira da Ásia e a ameaça de novas vendas de bancos centrais dos países que detêm grande quantidade poderá provocar um colapso no preço do ouro. Os preços, que chegaram neste ano a 400 dólares a onça, caíram para 308,15 dólares a onça, o valor mais baixo desde março de 1985. As previsões a médio prazo são as mais pessimistas e já se fala que o ouro pode cair até para 280 dólares. A Suíça já foi aconselhada por peritos a vender metade de suas reservas de ouro. Se os bancos centrais adotarem essa mesma postura, a queda será ainda maior. O mercado está de olho no comportamento da África do Sul e da Austrália, dois grandes produtores.Milagre americano
A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu em outubro para 4,7%. Esse é o menor índice nos últimos 24 anos. Num mundo em que se debate alucinadamente para criar medidas, estratégias e políticas para diminuir o número de desempregados, a queda nos EUA pode ser classificada como um verdadeiro milagre americano. Só para comparar: a média da taxa de desemprego na União Européia é de 10,6%, o que dá um total de 17,9 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Na Alemanha, considerada uma locomotiva da Europa, a média é de 11,2% da população ativa, algo em torno de 4,290 milhões de pessoas sem trabalho. Na parte oriental do país a situação é mais crítica, chegando a 18,3%. Porém, a Espanha é a recordista nesse índice, com uma média de 19,9% de desempregados.





