Conexão Miami Edinelson Alves Correspondente nos EUA


Efeito Hong Kong
Enquanto a turbulência do mercado financeiro atingia economias mais fracas e mais atrasadas da Ásia, como Tailândia, Malásia, Coréia do Sul e Indonésia, as grandes potências quase que ignoraram os problemas. Mas quando a crise chegou, na semana passada, a Hong Kong, a reação foi bem diferente. A ex-colônia britânica que voltou ao domínio da China, em julho, parecia um porto seguro para os grandes investidores. O reflexo instantâneo sobre outros mercados é o efeito mais perverso da chamada globalização, quando ocorre uma crise financeira. Ainda que o estrago, por enquanto, não tenha sido dos maiores, influentes analistas e investidores ocidentais passaram a enxergar com outros olhos os Tigres Asiáticos. Foi-se embora a ilusão de que a Ásia é sinônimo de um mercado de crescimento rápido e garantido e entrou em cena a desconfiança de que a maioria daqueles países queimou etapas importantes, a nível de ajustes internos, simplesmente para ganhar a corrida da competitividade externa.Exemplo do México
A crise que se abateu sobre o México, em 95, serve como um exemplo prático e recente. O país entrou para o Nafta, virou sócio dos seus ricos vizinhos Estados Unidos e Canadá, e parecia que, num passe de mágica, todos os seus velhos e crônicos problemas haviam sido resolvidos. Os números da economia mexicana eram otimistas e o país era usado como uma vitrine do mundo capitalista. Mas o final da história foi melancólico: o ex-presidente Carlos Salinas, até então muito festejado, fugiu e deixou o país quebrado. E o pior, sem minimizar em nada os problemas históricos como corrupção, pobreza, concentração de renda e conflitos regionais como o de Chiapas.Alerta do Japão
O Japão é a potência, geograficamente falando, mais próxima da crise asiática. Suas autoridades tentaram, por diversas vezes, sensibilizar a Europa e os Estados Unidos para a necessidade de ajudar seus vizinhos. O esforço foi em vão. Como a crise chegou a Hong Kong, Wall Street, Londres, Tóquio, Frankfurt e outras importantes bolsas de valores, a coisa mudou de figura. O Japão
não pedia apoio aos seus vizinhos por bondade, mas por interesse
em se defender da situação. É que além das baixas nas bolsas, o Japão vive uma incômoda situação interna. Os investidores estão cada vez mais pessimistas com a economia japonesa, principalmente porque o pacote de incentivos lançado pelo Governo não trouxe a injeção de ânimo esperada. Com oscilações externas e apatia interna, a economia do Japão está em estado de alerta. China veio às compras
Não é comum a visita de um presidente da China aos Estados Unidos, mas a passagem de Jiang Zemin pela Casa Branca pode ser classificada como uma viagem de compras, pois o alto dirigente chinês pretende fechar negócios da ordem de US$ 4 bilhões. A maior parte dos gastos será com a compra de 30 aviões Boeing (sendo vinte 737, cinco B-737 e outros cinco 757). Fruto das mudanças internas, a China tem hoje 43 empresas aéreas, com quase 800 aviões em uso diário. Além dos aviões, a missão chinesa também vai investir na aquisição de produtos de fertilização agrícola, equipamento para centrais térmicas e pesquisa de petróleo. Com a aproximação entre Pequim e Washington, apesar da diferença entre os dois regimes, os negócios bilaterais totalizaram no ano passado US$ 43 bilhões, 18 vezes maior do que em 1979. Os investidores norte-americanos criaram 23.250 empresas na China, num investimento de quase US$ 16 bilhões. Mas a estratégia da Casa Branca de entrar no promissor mercado chinês tem custado, a curto prazo, muito caro para os Estados Unidos. Tanto que em agosto o déficit da balança comercial chegou a US$ 10,4 bilhões, sendo que US$ 5,2 bilhões está diretamente vinculado com os negócios com a China. Por isso a missão de compra chinesa veio em boa hora. Além de dimimuir o déficit da balança também servirá para acalmar os críticos do presidente Bill Clinton que dizem não entender tanta ‘‘generosidade’’ nessa relação da Casa Branca com o governo de Pequim.Nicotina eletrônica

Ilustração

Prejudicada pelas bilionárias multas que tem pago nos Estados por conta dos males que o cigarro tem feito à saúde, já estava na hora da indústria do fumo lançar algo novo, diferente, para combater essa alta maré de pagamento de pensões. Por conta disso, a Phillip Morris anunciou que investiu US$ 200 milhões no desenvolvimento de um ‘‘sistema de fumo’’ microeletrônico. Batizada com o nome provisório Accord, a moderna engenhoca permitirá que os cigarros sejam fumados dentro de uma caixinha eletrônica do tamanho de um pager. Acionado por uma bateria, o Accord vai eliminar a fumaça e as cinzas causadas pelo fumo. Com isso, os fumantes poderão tragar com menos tosse, mas continuarão a engolir a fumaça. Uma das vantagens é que as pessoas que estiverem próximas não serão prejudicadas.

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