Conexão Miami Edinelson Alves Correspondente nos EUA

SOCIEDADE & RISCOS
Motivados pelas maravilhas que a grande imprensa publica sobre a Flórida, do tipo ‘‘Miami é a cidade brasileira que mais cresce’’, é muito comum investidores do Brasil, dos mais variados setores, desembarcarem aqui com a idéia de abrir um novo negócio. Desconhecendo as leis dos Estados Unidos, o mercado local e ainda enfrentando dificuldades com o idioma, o projeto de parceria com um outro brasileiro que tem mais experiência nos EUA parece ser, inicialmente, uma grande saída. Na prática, porém, inúmeras sociedades entre brasileiros na Flórida estão indo de mal a pior. Não pela parceria em si, mas principalmente pela falta de critérios, ausência de estudo de viabilidade, incompatibilidades na visão do negócio e até os chamados golpes de esperteza daqueles que entram com a ‘‘experiência’’ (os quais geralmente estimulam a iniciativa do outro) em prejuízo daqueles que colocam o dinheiro. Os desacertos estão se dando em praticamente todas as áreas: alimentação, exportação, comunicação, comércio de vendas de eletrônicos e computadores, entre outros. RUIDOSA POLÊMICA
Uma das maiores polêmicas nas sociedades entre brasileiros se deu no setor de alimentação. Com mais de 20 anos morando nos Estados Unidos, Jackson Coutinho, proprietário de dois restaurantes em Miami, buscou um sócio para abrir uma terceira unidade em Orlando. Justamente em meados de julho, auge da alta temporada, a bomba explodiu e o negócio virou uma grande polêmica. O novato nos Estados Unidos disse ter descoberto que os quase 100 mil dólares que colocara não tinham sido bem aplicados por Coutinho, que por sua vez teria superfaturado o valor das reformas do prédio e nem tinha pago o aluguel em Orlando e outras coisas mais. Coutinho alegou que seu parceiro era inexperiente e estava falando de coisas que não sabia. O caso está na justiça. A Luqui, que produzia um jornal na TV local também suspendeu sua programação depois de uma parceria malsucedida. Inúmeros são os insucessos apenas no último ano. VOLTANDO PRA CASA
O fracasso na parceria vira, naturalmente, uma desilusão com o novo país - no caso os EUA - e para muitos o retorno pra casa para ser o caminho mais seguro. Este foi o caso do médio empresário mineiro, L.B. - ele contou sua experiência, mas só autorizou o uso das iniciais. Jovem e arrojado, há menos de dois anos ele visualizou na Flórida o paraíso para os seus negócios, de compra e exportação de computadores, equipamentos e diversos outros produtos. Comprou apartamento num condomínio de luxo, dois BMW, TV de 62 polegadas (o que não é grande coisa por aqui em termos de preço, mas revela bem o apetite do novo consumidor) e caiu de cabeça nos negócios, impressionado com a facilidade de compra e o juro baixo. Exportou de tudo e chegou a afirmar, no auge de seus negócios, que só voltaria ao Brasil para ver a família.
O problema começou porque ele não recebeu, como imaginara, o dinheiro para pagar os seus fornecedores. A situação piorou quando uma carga de mercadoria foi apreendida pela Receita. Ele teve que vender o apartamento, mas o rombo já era maior. Sua última tentativa foi há seis meses quando abriu, em sociedade, uma loja especializada em computador. O resultado esteve longe do esperado e na semana passada L.B. decidiu enterrar o seu ‘‘sonho americano’’. Pegou sua família e voltou para o Brasil tão arrassado que trocou Belo Horizonte por São Paulo. Pelos muitos contatos em dois anos nos Estados Unidos, ele ainda pretende fazer negócios por aqui, mas esporadicamente, e com muito critério. Qual o conselho aos novos investidores brasileiros que chegam nos Estados Unidos? ‘‘Planejamento, paciência e distância dos negócios milagrosos’’. ILUSÃO DO LUCRO RÁPIDO
Sócio da Compubras (uma parceria de mais de 10 anos e que tem dado certo), Domingos Trofino, o primeiro brasileiro a montar loja de venda de computador no centro de Miami, diz que muitos investimentos brasileiros fracassam nos Estados Unidos porque chegam sempre com a visão do lucro fácil e rápido. Como sua empresa é uma das que mais vendem algumas marcas de computador em toda a região Sudeste dos EUA, Trofino ganhou recentemente um prêmio latino-americano. Ele atribui o sucesso do seu negócio, em primeiro lugar, porque chegou em Miami antes do grande ‘‘boom’’ dos computadores. ‘‘Quando abriram o mercado nós já estávamos instalados aqui e pegamos um momento que nunca mais se repetirá, pois quase não tínhamos concorrentes e o Brasil todo estava atrás de produtos de informática’’.
O segundo ponto que o empresário destaca é o trabalho. ‘‘Ainda trabalho com meus sócios pelo menos 10 horas por dia, inclusive aos sábados. E se alguém chega hoje e amanhã já diz que está montado na grana com isso e aquilo outro, desconfie. Alguma coisa está errada’’. Trofino diz que muitos fracassos empresariais acontecem porque ‘‘a pessoa chega acreditando nessas histórias de que em Miami está dando dinheiro em árvore. Isso é bobagem. Sem trabalho duro e preparo para enfrentar a grande concorrência é impossível vencer nesse meio’’, ensina.TRIBUTO MILIONÁRIO
Conforme dados da Receita Federal dos Estados Unidos, o pagamento tributável de executivos, antes de ajustes inflacionários, passou de US$ 109 bilhões em 1980 para US$ 307,6 bilhões em 1995, num avanço em 15 anos de 182%. Isso significa um ganho muito significativo numa economia estável e com baixa inflação. Mas as mulheres americanas não estão muito satisfeitas com seus ganhos: 37% delas dizem que ficou mais difícil manter suas contas em dia nos últimos cinco anos. Um total de 32% delas reclama que seus trabalhos não pagam salários iguais por tarefas iguais.

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