Conexão Miami (Edinelson Alves - Correspondente nos EUA)


GUERRA COMERCIAL
O império contra-ataca. Assim pode ser resumido a discórdia semeada pelos Estados Unidos entre Brasil e Argentina, os principais parceiros do Mercosul. Esse é o jogo pesado da guerra comercial. Há cerca de dois meses essa coluna advertiu que os norte-americanos não deixariam barato a oposição que sofreram do Brasil, durante reunião em Belo Horizonte, para discutir a abertura da Área de Livre Comércio das Américas - Alca - e que fariam de tudo para mexer com a estrutura do Mercosul. O Brasil quer permanecer fechado no Cone Sul e, valendo-se da sua supremacia na região, alçar vôos comerciais em buscas de novos parceiros em todos os continentes. Os norte-americanos querem fechar as Américas, principalmente a latina, para consolidar o seu domínio na região. Como não aceita a regra do jogo, o Brasil tem sido visto pelo governo Bill Clinton como um grande incômodo para os interesses dos EUA na região.PONTOS DA DISCÓRDIA
Líderes argentinos que estiveram em Miami, recentemente, não pouparam críticas ao Brasil e sua política de domínio na região. Ou seja, os argentinos são parceiros comerciais do Brasil simplesmente por interesse, jamais por afinidade. Explorando essa rivalidade histórica e disposto a tudo para implodir o Mercosul, a Casa Branca adotou as seguintes medidas para a região: suspendeu o embargo que desde 1977 proibia a venda de armamento bélico para a América do Sul; autorizou o Chile a comprar 20 aviões de guerra F-16; e ainda promoveu a Argentina ao estatuto de ‘‘aliado não membro da OTAN’’ - um privilégio oferecido a poucos países. Tudo isso insuflou o presidente Carlos Menen a se declarar contrário a pretensão do Brasil em assumir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Como Menem mordeu a isca Ianque, a reunião do final de semana em Assunção serviu muito mais para discutir as divergências do que para avançar nos pontos econômicos comuns. O senador José Sarney acertou na mosca:‘‘Washington quer desestabilizar o Mercosul’’. Mas essa é apenas a primeira batalha da guerra comercial que interessa aos Estados Unidos.
GUERRA COMERCIAL 2
Os Estados Unidos, na sua antiga disputa comercial com o Japão, acabam de anunciar severas tarifas antidumping (venda de produto com preço baixo para prejudicar a concorrência) contra as companhias japonesas NEC e Fujitsu, fabricantes de supercomputadores. Acusando a NEC de praticar preço desleal, o Departamento de Comércio impôs uma tarifa de 454% sobre o aparelho SX-4 que a empresa vendeu para o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, órgão do próprio governo dos Estados Unidos. A Fujitsu também recebeu tarifa de 173% sobre seus supercomputadores e os demais supercomputadores japoneses a punição foi de 313,5%. Com essa severa multa, o gerente da NEC, Yuzio Mizuno, entendeu a regra da jogo:‘‘Teremos que reconsiderar nossa estratégia nos Estados Unidos. Acreditamos que o mercado norte-americano não é aberto. O mercado de aquisições governamentais é completamente fechado’’. A grande beneficiada com esse processo foi a companhia norte-americana Cray Research, concorrente direta dos japoneses e que fez toda a denúncia. Detalhe importante dessa disputa: enquanto o supercomputador da NEC, o Vector, consegue fazer os cálculos do Centro de Pesquisa Atmosférica em 9 dias, o supercomputador da Cray, o Cray/C90, demora em torno de 30 dias. Conclusão da NEC em sua defesa:‘‘A verdadeira vítima desse absurdo processo por dumping é o usuário do supercomputador’’, que no caso é um órgão do governo americano.GUERRA COMERCIAL 3
Há um outro grande conflito envolvendo interesses americanos e japoneses nos EUA. O megaempresário Wayne Huizenga, estabelecido em Fort Lauderdale (Flórida), saiu pelos Estados Unidos com o seu grupo de muitas empresas, comprando concessionárias da Toyota em vários Estados. Temendo essa concentração de vendas nas mãos de um único proprietário, a Toyota decidiu impedir a venda da maioria das concessionárias que estava sendo negociada. Huizenga, disposto a ultrapassar qualquer barreira, recorreu aos tribunais. Na semana, em Nova Iorque, ele recebeu o apoio de 23 ex-procuradores na sua demanda. Steven Berrard, um alto executivo que apóia Huizenga, tocou na ferida da questão:‘‘Como americano, acho insultante que um fabricante estrangeiro nos diga o que podemos fazer em nosso próprio país, onde eles tem tido acesso todo esse tempo’’. Se jeito regula, a Toyota pode perder o controle sobre suas concessionárias. BRINQUEDO CARO

‘‘Guerra nas Estrelas’’, o sucesso das telas pode virar a grande atração do mercado de brinquedos. Para aproveitar os novos lançamentos da série, o criador do filme, George Lucas, está estudando a venda das licenças para a indústria de entretenimento infantil. Mais esse brinquedo vai sair caro, pois as empresas que estão disputando esse filão já fazem oferta de US$ 1 bilhão para ter o direito de exploração desse mercado. Especialistas do setor dizem que essa pode ser a mais cara licença já negociada.MARKETING MILIONÁRIO
O marketing no esporte continua sendo um filão milionário nos Estados Unidos. Estrelas das principais modalidades faturam alto para divulgar marcas e produtos. Pelo novo anuário Sports Marketing Letter, o armador Michael Jordan, do Chicago Bulls, continua sendo o campeão do ranking, com ganho de cerca de US$ 40 milhões na temporada 97/98. Tiger Woods, de apenas 21 anos e sensação no golf, deve faturar US$ 25 milhões. Em terceiro lugar aparece um outro jogador de basquete: Shaquille O’ Neal, dos Los Angeles Lakers, com US$ 23 milhões. O golfista Arnold Palmer deverá ocupar o quarto lugar com US$ 19,2 milhões. Mesmo não estando entre os melhores do tênis, o carismático Andre Agassi aparece em quinto na lista dos milionários do esporte, devendo ganhar em torno de US$ 17 milhões.

mockup