GUERRA
DE TARIFA
Na briga entre as grandes companhias de telecomunicações dos Estados Unidos, quem ganha é o usuário. A Bellsouth, que domina o mercado de chamadas locais na Flórida, acaba de criar um preço único de 25 centavos para os telefonemas entre as cidades do Sul da Flórida, de Miami a West Palm Beach, numa distância de aproximadamente 120 quilômetros. Na propaganda da Bellsouth, a empresa faz uma tabela de comparação de preços com outras companhias. Para uma chamada de 15 minutos, a concorrência cobra em torno de US$ 1,50, enquanto o serviço da Bellsouth ficaria nos mesmos 25 centavos.BATALHA COMERCIAL
Além do governador Layton Chiles, 73 grandes empresários e homens de negócios da Flórida participaram, no mês passado, da reunião sobre Livre Comércio das Américas realizada em Belo Horizonte. Isso demonstra o quanto a Flórida tem interesse nessa região. Tanto o governador como os empresários estão preocupados com a morosidade da integração comercial. Depois do insucesso no Brasil, a pressão desse grupo político-empresarial agora está voltada para o congresso americano. Eles querem que seja aprovada, com urgência, a lei que permite ao presidente Bill Clinton firmar convênio de livre comércio com outros países da América Latina. A alegação clara e objetiva, bem ao estilo americano, é de que as empresas da Flórida estão perdendo competitividade. Apenas um exemplo: O Canadá firmou um acordo paralelo e não pagará nenhuma tarifa para colocar os seus produtos no Chile. Enquanto isso, os EUA terão que pagar 11% de tarifa.NÚMEROS DA PREOCUPAÇÃO
Os números mostram o motivo real da preocupação. Em 95 os negócios da Flórida com o mundo entre exportação (29,4 bilhões) e importação (22,7 bilhões) totalizaram US$ 52,1 bilhões. Só os países americanos representaram US$ 32,7 bilhões. E o balanço é altamente favorável para a Flórida: US$ 22.858 bilhões em exportações e apenas US$ 9,839 bilhões em importações. Só com a América do Sul (principalmente com os países do Mercosul), os negócios totalizaram em 95 US$ 18,1 bilhões, sendo US$ 14,3 bilhões em exportações e apenas US$ 3,8 bilhões em importações. A Flórida não quer, por motivo nenhum, perder esse grande negócio, principalmente porque os seus déficits com Ásia e Europa totalizam quase US$ 7,5 bilhões. OPÇÃO CHINA
Por razões estratégicas que o governo não divulga, o presidente Bill Clinton está empenhado em renovar o tratado de comércio que oferece vários privilégios para a China. Tanto os políticos como os empresários estão criticando essa decisão da Casa Branca. Toda essa polêmica em relação a China só irá servir para retardar ainda mais a aprovação do livre comércio com os países da América. O que será, obviamente, pior para os negócios dos Estados Unidos. EMPREGO
NA PAUTA
A pauta do primeiro encontro do presidente Bill Clinton com o novo primeiro-ministro britânico Tony Blair, na semana passada, foi dominada pela preocupação em criar novos empregos. Blair disse que a Europa precisa aprender com os EUA sobre geração de emprego. Os elogios do ministro britânico são estratégicos: ele sabe que a melhoria do relacionamento com os Estados Unidos pode significar mais peso para a Inglaterra dentro das negociações da União Européia.EMPRESÁRIOS PRESOS
Ainda que a lei dos Estados Unidos de embargo a Cuba tenha sido constantemente violada, principalmente pelos exilados cubanos do Sul da Flórida que enviam produtos para a ilha de Fidel Castro, quem está pagando o pato são dois negociantes espanhóis. Javier Ferreiro Parga e Juan Torres estão presos em Miami, acusados por enviar US$ 350 mil em produtos enlatados, toalhas sanitárias e outras mercadorias para Cuba. O governo espanhol intercedeu junto à Casa Branca pelos dois, mas a resposta foi de que o caso está nas mãos do judiciário, que é um poder independente.DUPLICAÇÃO
O grupo Procter & Gamble, maior produtor mundial de sabão em pó, shampoos e fraldas, quer dobrar o seu faturamento a cada 10 anos. A empresa, que faturou US$ 35 bilhões no ano passado, quer atingir US$ 70 bilhões em uma década. O anúncio da Procter, que é americana, certamente vai mexer com seu maior rival comercial em todo mundo, a Unilever, um grupo anglo-holandês.MULTA TRABALHISTA
O Publix, maior rede de supermercados do Sudeste dos Estados Unidos, terá que pagar US$ 85 milhões em multa trabalhista. A empresa é acusada de discrimação contra as mulheres. A demanda coletiva beneficia 34 mil mulheres, entre as quais algumas que trabalham na empresa e outras que já deixaram o Publix. Um outro processo paralelo beneficia 400 mulheres de raça negra. Ações como essas são comuns nos Estados Unidos e dificilmente o empregador escapa de pagar pesada indenização trabalhista.

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