O clima de fim-do-mundo das últimas semanas, com a fuga de U$ 25 bilhões em reservas do Brasil e a derrocada das bolsas, significaram para mim um dilema pessoal.
Jornalista desde 1973, cioso de minha independência e espírito crítico (a profissão do jornalista, que às vezes beira a ‘‘doença mental’’, é o exercício da dúvida), com participação consistente em movimentos políticos contra a ditadura na década de 70 etc, de repente vi-me diante da seguinte questão:
Como é que o Brasil pode estar esfarelando e eu não tinha percebido? Pelo contrário, sem ser nem mesmo estudioso da economia, tinha a sólida impressão de que o País caminhava bem, atraindo bilhões em investimentos produtivos (U$ 15 bi só no Paraná).
Ou seja, as contas podem estar negativas agora, que o país está importando máquinas etc, mas daqui a pouco, quando essas empresas começarem a empregar, produzir e exportar, as contas serão positivas.
Até mesmo a dívida interna, esta sim preocupante e que disparou com o aumento de juros para conter a fuga de capitais, poderia ser enfrentada num quadro de prosperidade.

Galinha morta

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