Conectividade (Tadeu Felismino)
Conectividade (Tadeu Felismino)
Brasil exporta software
Depois de 20 anos tentando tornar o Brasil competitivo na fabricação de computadores (hardware), através de uma reserva de mercado que atrasou o desenvolvimento do País, gente do governo e do setor de informática chegou à conclusão de que seria difícil competir com americanos e asiáticos nesse departamento.
Em compensação, poucos povos do mundo teriam criatividade e flexibilidade suficientes para competir com os brasileiros no desenvolvimento de programas de computadores (software), um dos mercados que mais crescem no mundo hoje, movimentando acima de US$ 200 bilhões/ano.
Foi com base nessa premissa que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a iniciativa privada, criou no início da década de 90 o SOFTEX 2000 - Programa Nacional para Exportação de Software.
Programa modelo
Pois com 5 anos de existência, coordenado desde 97 pela Sociedade SOFTEX, entidade privada que tem o empresário curitibano Kival Chaves Weber como presidente, o Programa exibe uma estrutura impressionante, quase toda privada e autônoma:
- 20 núcleos nas principais cidades brasileiras, com mais de 1 mil empresas associadas, dois deles no Paraná, o de Curitiba coordenado pelo CITS e o Norte do Paraná gerido pela Adetec;
- 21 núcleos Gênesis, ligados a universidades, que estão fomentando a criação de mais de 300 novas empresas entre estudantes e recém-formados; o Norte do Paraná é o único Núcleo SOFTEX do país com dois Genes, hospedados na UEL (Genorp) e na UEM (Infomar);
- Escritórios na Alemanha, China, Buenos Aires e três em fase de implantação nos EUA;
- Participação consistente, há mais de 5 anos, nas duas principais feiras mundiais de informática - a Comdex de Las Vegas e a CeBIT e Hannover, Alemanha.
- Um calendário de eventos nacionais que vem capacitando a empresa brasileira em termos tecnológicos, financeiros e de marketing para competir no mercado mundial.
- E programas de financiamento às empresas, em parcerias com BNDES, FINEP, CNPq, SEBRAE etc.
Primeiros resultados
Dividindo responsabilidades, investimentos e riscos entre governo e empresas, o Softex tornou-se um modelo de programa público/privado, que já foi adotado pela APEX - Agência de Promoção de Exportações, criada há três meses com o objetivo de aumentar as exportações do país para US$ 100 bilhões em 2002.
O recém-lançado Brazilian Software News, jornal da Sociedade SOFTEX, destaca diversos casos de exportação de software brasileiro, prevendo um total de US$ 50 milhões em vendas para o exterior neste ano e o dobro (US$ 100 milhões) em 99.
Negócio da China
O principal destaque da edição é a empresa carioca Tecnocoop, proprietária da tecnologia do banco de dados corporativo Openbase, com versões em inglês, espanhol e chinês, que vai embutida em workstations da Silicon Graphics. Neste ano, a Tecnocoop vai emitir 10 mil licenças de seu produto na China, faturando US$ 8 milhões para uma receita líquida de US$ 2 milhões.
Outros destaques Softex:
- Light Infocom, de Campina Grande, Paraíba, cujo software de gerenciamento de impressão para usuários do sistema SCO-Unix ganhou o prêmio Top of the World, da revista americana SCO World, com 55 mil exemplares;
- Bluemoon, de Juiz de Fora, Minas Gerais, que desenvolveu, meio por acaso, uma biografia interativa do ator Bruce Willis e ganhou o próprio como parceiro, para colocar o produto na América do Norte e Europa.
- Pointer, de Recife, que desenvolveu o Data Habitat, um software de automação comercial que se comunica com todos os bancos de dados, que mantém contratos com grandes distribuidores nos EUA (Programmers Paradise) e no Brasil (Microsiga).
- Novaware, de Campinas, cujo WebBoy permite que até computadores antigos (386 e 486) naveguem na Internet, e que deve vender 1 milhão de cópias/ano.
Norte do Paraná exporta
Os primeiros casos de exportação de software no Norte do Paraná vêm de Maringá. A Visual Music, empresa nascida no Gênesis da UEM, está exportando para o Canadá cópias do Hair-Pro, um software para salões de beleza, que permite ao cliente visualizar-se com mais de 150 tipos de penteados diferentes.
E a Visual Doctor, que está exportando para o Mercosul um produto que já é sucesso na região de Maringá, com 250 cópias vendidas: o Data-Doctor, que permite a clínicas e hospitais arquivar imagens laboratoriais.
De Londrina, a Múltipla é a empresa com maiores possibilidades de atingir o mercado externo a curto prazo: seu software Recap, para recapadoras de pneus, que tem o aval da associação nacional do setor, fez sucesso em evento na Alemanha, mês passado.
Gerente da cidade
Sem nenhum alarde, Londrina adotou uma solução inovadora para a gestão da cidade, típica das mais avançadas cidades do mundo: a figura do Gerente Municipal, que no nosso caso é ocupada pelo Secretário de Governo, Gino Azollini.
Com sua competência técnica, que o levou a secretário de Estado no governo Alvaro Dias e diretor da Copel, Gino coordena todas as ações da Prefeitura, facilitando a tomada de decisões do prefeito Antonio Belinati e deixando-lhe mais tempo para o que ele mais gosta de fazer: política.
TADEU FELISMINO, jornalista, coordenador da Adetec, escreve neste espaço às quintas-feiras.
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