Conectividade (Tadeu Felismino)
Conectividade (Tadeu Felismino)
Eldorado do ano 2000
Como eu ia dizendo, Londrina deve reviver, na virada do ano 2000, a mesma euforia de seus primeiros 40 anos, quando era conhecida, no Brasil e no exterior, como Eldorado, paraíso de oportunidades etc.
Desta vez, porém, não será a cafeicultura a mola propulsora do novo ciclo econômico. Nem mesmo, a meu ver, as novas indústrias que estão chegando (Dixie, Beta Sul, Kumho etc), embora elas sejam evidentemente importantes pelos empregos, impostos etc.
O grande protagonista desse novo ciclo deve ser um dos setores de tecnologia de ponta mais atrativos da atualidade, o setor de telecomunicações.
E o papel que foi da Companhia de Terras Norte do Paraná, nos anos 30, vai de vez para uma das mais admiráveis criações dos londrinenses, a Sercomtel S.A. Agora de mãos dadas com a Copel e a Globaltelecom.Referência em Telecomunicações
Confira estas informações:
- Ainda este ano Londrina deve receber uma injeção de recursos superior a U$ 120 milhões, com a venda de 35% das ações da Sercomtel, dinheiro que será integralmente canalizado para investimentos, ou seja, para melhorar a infra-estrutura da cidade.
- O consórcio GlobalTelecom, que reúne a poderosa Inepar e grupos japoneses, vencedor da concorrência para exploração da Banda B da telefonia celular de Santa Catarina e Paraná, acaba de instalar sua sede em Londrina.
- Sozinha, a Sercomtel S.A. já era respeitada a nível nacional por prover um dos melhores serviços de telefonia do país; agora, caso se confirme a associação à Copel e GlobalTelecom, a empresa e Londrina ganham projeção muito maior e condições reais de participar do processo de privatização do Sistema Telebrás.Pólo Tecnológico
Mas o projeto mais promissor dessa parceria é mesmo o Teleporto, uma estrutura de comunicação de dados, voz e imagem de alta velocidade, capaz de oferecer ao mercado meios de comunicação em quantidade e qualidade superiores.
Como o Brasil apresenta enormes carências nessa área, um Teleporto da Sercomtel deve atrair para Londrina empresas nacionais e internacionais de alto nível, especialmente das áreas de serviços, e com grandes necessidades de telecomunicações em tempo real, como bancos, operadoras de turismo, cartões de crédito etc.
Tal movimentação de recursos e tecnologias avançadas, cria oportunidades também em pesquisa e desenvolvimento, atraindo profissionais de alto nível que vão desenvolver soluções para melhor utilização dos recursos disponíveis.
E aí, com a criação de novas tecnologias capazes de gerar negócios, empresas, empregos, valor agregado etc, Londrina entra num clube seleto, o das cidades conhecidas como Pólos Tecnológicos.
A revista Veja da semana passada trouxe uma reportagem sobre algumas dessas cidades (São Carlos e Campinas/SP, Campina Grande/PB, Santa Rita Sapucaí/MG, Joinville/SC e outras), mostrando o muito que elas ganharam como Pólos de tecnologias avançadas.Desequilíbrio regional
A empolgação de Londrina apresenta, no entanto, efeitos colaterais. O mais preocupante deles é o retorno de um fenômeno dos anos 70, o esvaziamento das pequenas cidades e do meio rural e a formação de um fluxo migratório para Curitiba, Londrina e outras cidades pólo do estado.
O fato é que o entusiasmo deste fantástico momento que o Paraná vive (segundo pólo automotivo e um dos estados mais atrativos país) ficou confinado a Curitiba e sua região metropolitana e às cidades médias, não contagiando as pequenas cidades.
Sintoma desse quadro: invasões de áreas públicas na periferia de Londrina.
Problema: a maioria das pessoas que está vindo para a cidade, atrás dos novos empregos industriais, não têm preparo para disputar as centenas de vagas que estão sendo ofertadas.Governo preocupado
Trocando em miúdos: vai ser difícil consolidar Londrina como Pólo Tecnológico regional ou nacional, com dezenas de municípios morrendo de fome por perto, sem alternativas econômicas para seus habitantes. É indispensável planejar o desenvolvimento a nível de regiões homogêneas
Pensando nisso, a Secretaria de Planejamento do Estado e o Ipardes estão estudando um modelo eficaz de Agência Regional de Desenvolvimento. O modelo da Adetec, que vem sendo recomendado pelo Estado de São Paulo a seus municípios, será apresentado aos técnicos da Seplan e Ipardes na próxima segunda feira.
Mariano Macedo, do IPEA, o secretário de Fazenda e Planejamento de Londrina, Luiz Cesar Guedes e José Cândido Miller, da Codel, devem participar do debate.Expo-Inventos
Excelente a Exposição de Inventos (4ª do Paraná e 2ª Brasil), realizada no último final de semana na Usina do Conhecimento (Conj.Parigot de Souza III). Discretamente, o persistente José Clock, presidente da Associação Brasileira de Inventores e da Propriedade Industrial - Abripi-PR, conseguiu reunir em Londrina 25 belos inventos de 12 estados brasileiros, ganhando notável repercussão. Parabéns!Bichos escrotos
Por falar em inventos, lá vai uma provocação: certamente será um sério candidato a milionário o cidadão que inventar um meio eficaz (e barato) de acabar com essa verdadeira praga de formigas que infesta todos os ambientes em todos os lugares.
Ano passado o dedetizador foi lá em casa e deu garantia contra tudo, rato, barata o escambau, menos essas malditas formiguinhas neuróticas que estão em todos os lugares.
E, de fato, no dia seguinte à dedetização, lá estavam elas disputando baratas e outros bichos escrotos envenenados.
Agora reflita comigo, venerando leitor: Há muito tempo se sabe que essas formigas são a principal fonte de contaminação hospitalar. Agora elas se tornaram resistentes a todo tipo de veneno. E se você pensa que elas vão diminuir no inverno, pode tirar o cavalinho da chuva, elas atravessam imperturbáveis todas as estações do ano, cada vez mais numerosas.
Meu último refúgio para alimentos, lá em casa, é a geladeira. Mas do jeito que as coisas vão, daqui a pouco vou ter que botar a família para dormir na geladeira. Até que as malditas se adaptem também a geladeiras, e então teremos que nos esconder no freezer.
Será que essas formiguinhas são atômicas? Será que é o fim do mundo? Socorro!TADEU FELISMINO, jornalista e coordenador da Adetec, escreve neste espaço às quintas feiras.
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